Acusado de assassinar franceses vai a júri

Em depoimento, Társio Wilson Ramirez nega a participação no crime ocorrido no início do ano

Clarissa Thomé, do Estadão,

30 de outubro de 2007 | 20h09

Começou nesta terça-feira, 30, o julgamento de Társio Wilson Ramirez, um dos acusados do assassinato de três franceses fundadores da organização não-governamental Terr'Ativa, em fevereiro deste ano. Társio havia sido beneficiado pelo trabalho social da ONG e era funcionário da Terr'Ativa. Em depoimento, ele negou a participação no crime. Outros dois acusados vão a Júri Popular em 13 de dezembro. De acordo com a promotoria, Christian Pierre Doupes, de 38 anos, a mulher dele, Delphine Claudie Douyère, de 36, e Jérôme Marie Marc Faure, de 42, foram mortos a facadas por terem descoberto um desvio nas contas da instituição, de R$ 80 mil. O principal suspeito era Ramirez. Os diretores da ONG marcaram uma reunião com o funcionário, mas foram mortos antes de o encontro ocorrer. Ramirez é acusado de ter contratado dois comparsas para ajudá-lo no crime. Em depoimento, Ramirez negou a participação no assassinato e o desfalque na ONG. Ele disse que soube do rombo nas contas da ONG ao ouvir uma discussão entre Delphine e a presidente da ONG, Ana Carolina de Neves de Castro Rocha. O juiz Sidney Rosa da Silva perguntou, então, o que Ramirez fazia na sede da ONG, em Copacabana, no dia do crime. Ele disse que queria pegar documentos, para comprovar que não havia dado o desfalque, além do dinheiro do seu salário, que estava atrasado. Ramirez negou ainda ter visto Faure ser amarrado e acusou um dos seus comparsas, Luiz Gonzaga Gonçalves de Oliveira, de ter iniciado o ataque aos franceses. Ramirez contou que não esperava a reação de Oliveira e que se escondeu sob uma mesa. Ainda de acordo com o réu, Oliveira pretendia incendiar o apartamento, mas não encontrou fósforo ou isqueiro. O processo foi desmembrado porque a defesa de Ramirez, Oliveira e José Michel Gonçalves (o terceiro acusado) divergiram na escolha dos jurados. O julgamento dos outros dois réus foi, então, remarcado. Os acusados estão sendo julgados por homicídio qualificado (três vezes), por furto qualificado e por causar incêndio em edifício público ou destinado à obra de assistência social ou de cultura. Estão enquadrados também na Lei 8.072/90 (Crimes Hediondos).

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