Acordo libera obras no Hospital Umberto I

Com investimento de R$ 1 bilhão, área do antigo Hospital Matarazzo, na Bela Vista, terá dois hotéis, shopping e parque

EDISON VEIGA , RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2012 | 03h09

Passados 19 anos de seu fechamento, o antigo Hospital Umberto Primo - conhecido como Hospital Matarazzo -, na Bela Vista, região central, finalmente poderá ser reaberto. Não mais como centro de saúde, mas como um moderno complexo com dois hotéis, shopping, um parque de 15 mil metros quadrados e centro cultural.

Tombado desde 1986 pelo órgão estadual de proteção ao patrimônio (Condephaat), o imóvel construído em 1904 era alvo de disputa entre empresários que vislumbravam o potencial comercial do prédio e do terreno e duas associações de moradores do bairro que lutavam pela preservação de seus edifícios históricos.

O fim do conflito veio do Ministério Público, por meio da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O documento extingue a ação civil pública que impedia novas construções e autoriza o grupo francês Allard, dono do imóvel desde 2011, a fazer intervenções no local, respeitando as normas do tombamento.

"Isso (a liberação das obras) foi possível porque há três níveis de tombamento no mesmo complexo", disse o advogado das associações, Marcus Vinicius Gramegna. "A capela e a maternidade, por exemplo, têm preservação total. Já outros conjuntos do terreno são tombados só na fachada, então podem ser reformados internamente. Há ainda um terceiro nível de construções feitas posteriormente que não têm valor histórico", explicou.

Satisfação. O advogado disse que os integrantes das associações consideraram a solução mais conveniente do que ter de conviver com o imóvel abandonado.

De certa forma, a solução encontrada se assemelha à adotada na Casa das Rosas, palacete da Avenida Paulista projetado pelo escritório de Ramos de Azevedo, onde hoje funciona um centro cultural. O mesmo terrento também abriga um edifício comercial.

De acordo com o promotor José Eduardo Isamel Lutti, responsável por acompanhar o processo no Ministério Público, ainda não significa que o projeto tenha sido aprovado. "Concordamos com o conceito, com as diretrizes. Agora vamos manter a discussão até a apresentação de um projeto completo com base nessa resolução original", diz.

Investimentos. O grupo Allard pagou R$ 117 milhões pelo imóvel ao Previ (fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. A previsão é de que seja investido cerca de R$ 1 bilhão na implementação de todo projeto, cujas obras devem durar 4 anos.

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