Tiago Queiroz / AE
Tiago Queiroz / AE

Aclimação: lago pela metade por cinco meses

Segundo Prefeitura, medida é necessária para troca do vertedouro no reservatório do parque

Ana Bizzotto e Luisa Alcalde, O Estado de S.Paulo

04 Setembro 2010 | 00h00

Quem quiser aproveitar o feriado no Parque da Aclimação, na zona sul de São Paulo, vai encontrar o lago com o nível de água 1,5m abaixo do normal - a profundidade varia de 1m nas bordas a 3,5m no meio. E a situação vai perdurar por cinco meses, período em que será substituído o vertedouro, sistema hidráulico que regula o nível da água.

No dia 23 de fevereiro de 2009, por causa das fortes chuvas, o nível da água do lago subiu extraordinariamente e causou uma ruptura na parte inferior do vertedouro, resultando no esvaziamento do lago artificial em menos de uma hora. O lodo e vários peixes saíram pelo sistema de drenagem do bairro e ocuparam ruas vizinhas. Reparado de forma emergencial na mesma semana, ele será agora trocado, mais de 18 meses após o acidente.

A lâmina d"água foi baixada na quarta-feira para o início das obras. Segundo a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente, a operação é necessária para que a desativação completa do vertedouro antigo possa ser feita. O novo dispositivo terá vazão maior em caso de chuvas intensas - de 70 milhões de litros passará a ter 110 milhões.

O valor estimado da obra é de R$ 600 mil. Será construído um pequeno vertedouro provisório para extravasar a água durante as obras, se for necessário. Este vertedouro ficará próximo do Clube Escola de Futebol e será desativado tão logo o novo esteja em funcionamento. Para instalá-lo, será necessário isolar um trecho da pista de cooper na frente do Clube Escola de Futebol. Após o fim da obra, o vertedouro provisório será aterrado e o recapeamento da pista de cooper, reconstituído.

Para a realização da obra será preciso transplantar sete árvores e cortar dois eucaliptos. No lugar dos eucaliptos, serão plantadas 31 mudas de espécies nativas. Em nota, a Secretaria do Verde informou que a implantação do vertedouro é feita "de maneira segura e monitorada pelos funcionários do parque" e vai resultar em "melhorias no sistema de drenagem". A pasta afirmou ainda que a fauna do lago, composta por aves migratórias e peixes, não será afetada.

Lodo. A retirada do lodo do lago foi iniciada no dia 8 de junho, pouco mais de 15 meses após o acidente. Até agora, já foram removidas 272 toneladas, quase 30% do total que será retirado. Os 33 carregamentos removidos foram levados para a Estação de Tratamento de Esgoto da Sabesp em São Bernardo.

Há também um projeto de reforma do sistema de drenagem do bairro, que existe desde 1995. O lago integra o sistema e funciona como piscinão para enchentes. O projeto, de competência da Secretaria de Infraestrutura e Obras, prevê, além da substituição do vertedouro, um reservatório e uma nova galeria.

Protesto. A interrupção do percurso nas corridas ou caminhadas está causando protestos dos frequentadores, como o dentista Orlando Magalhães Filho, de 64 anos. "Todos os dias pela manhã faço caminhadas aqui. Agora vou ter de ir ao Ibirapuera porque essa interrupção vai atrapalhar meus planos", disse ele.

O comerciante Eduardo Magwitz, de 56 anos, também não gostou de encontrar a pista de cooper menor ontem. "Deveriam ter feito a troca do vertedouro quando o lago secou da outra vez. Cinco meses é muito tempo. Por que não usam dragas maiores?", questiona ele.

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