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MARCIO FERNANDES/ESTADAO
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Acidentes com morte nas Marginais caem pela metade em 12 meses

Segundo dados da CET, a redução de mortes foi de 51,6% entre julho de 2015 de junho de 2016, um ano após redução da velocidade em SP

O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2016 | 13h46

SÃO PAULO - O número acidentes com mortes caiu pela metade nas Marginais do Tietê e do Pinheiros, em São Paulo, um ano após a redução do limite de velocidade nas vias, segundo apontam dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Foram registradas 31 acidentes fatais entre julho de 2015 e junho deste ano, ante 64 casos nos 12 meses anteriores - a redução é de 51,6%.

Dados do Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo (Infosiga) já haviam informado que a redução de mortes no trânsito é maior na capital do que em outras regiões de São Paulo, conforme divulgou o Estado neste mês. Enquanto a cidade registrou queda de 16,7% entre janeiro e agosto de 2016, a diminuição no Estado foi de 5,5%. Para especialistas do setor, a velocidade reduzida é o principal motivo.

Com a redução do limite nas Marginais, que foi adotada em julho de 2015 pela gestão Fernando Haddad (PT), o índice de atropelamentos com morte nas vias caiu 95,8%. Foi registrado apenas um caso ao longo do período de 12 meses até junho de 2016, contra 24 ocorrências no intervalo equivalente anterior, conforme informou o jornal Folha de S. Paulo, nesta quarta-feira, 12.

Isoladamente, a Marginal do Tietê havia registrado 17 mortes por atropelamento no período até junho de 2015, mas zerou o número nos 12 meses seguintes. Por sua vez, a Marginal do Pinheiros reduziu de sete ocorrências para uma no intervalo do levantamento - uma queda de 85,7%. 

De acordo com os dados compilados pela CET, os demais acidentes com morte tiveram queda de 25%, com redução de 40 casos para 30.  Esse índice foi puxado para baixo pela Marginal do Pinheiros, onde as notificações caíram 59%, passando de 22 para nove casos nesse intervalo. Em contrapartida, a Marginal do Tietê teve aumento de 16,6%. Foram 21 acidentes fatais até junho de 2016, ante 18 no período anterior.

Defesa. Confrontado com os dados, Doria voltou a defender o limite original nas vias, mas disse que pode manter "pontualmente" a velocidade de 50 km/h em trechos da pista local com mais acidentes. "Nossa posição foi estudada tecnicamente, de maneira dedicada, tranquila e equilibrada", afirmou o prefeito eleito, em entrevista à Rádio Jovem Pan. "As velocidade nas Marginais serão alteradas, nossa decisão está mantida, para 90 km/h, 70 km/h e 60 km/h."

Em visita a Aparecida, no interior de São Paulo, Alckmin também se manifestou sobre o tema. "Eu vejo que a Marginal é uma via expressa. Essa decisão precisa ter embasamento técnico. Se você puder ter velocidade maior, melhor, porque ela não é interna. Vai melhorar a marginal com a conclusão do Rodoanel", afirmou.

Recuo. A decisão da administração Haddad de reduzir a velocidade máxima nas Marginais foi alvo de polêmica desde a sua implantação. Com a medida, o limite passou de 90 km/h para 70 km/h na via expressa, de 70 km/h para 60 km/h na central, e de 60 km/h para 50 km/h na local .

Durante a campanha eleitoral de São Paulo, o prefeito eleito João Doria (PSDB) defendeu o retorno das antigas velocidades nas Marginais, apesar dos índices de redução de mortes no trânsito da capital. Após o resultado, ele chegou a declarar que aumentaria o limite dessas vias “na segunda semana de mandato”.

Nesta semana, no entanto, Doria admitiu em um evento com cicloativistas que poderá manter a velocidade máxima de 50 km/h em alguns pontos da pista local das Marginais. “Onde existir comprovadamente um fluxo grande de pedestres poderemos reestudar, sim, o limite de velocidade”, disse o prefeito eleito. “Vamos analisar caso a caso e levar em conta o mapeamento dos acidentes.”

Especialistas em engenharia de tráfego divergem sobre a meidade estudada por Doria. Para alguns, uma eventual implementação da ideia poderia confundir condutores, que dirigiriam sob limites diferentes ao longo da via, falhando em garantir a segurança dos locais com maior número de pessoas. Outros consideram necessária uma análise técnica para definição destes pontos.

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