'Acidente só vai mudar de pista'

Motoqueiros reclamam de sinalização confusa na Marginal e limite muito baixo de velocidade

, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2010 | 00h00

Só pela Marginal do Tietê, Marcel Silva de Paula, de 20 anos, rodou ontem 107 km. Percebeu uma "visível" diferença no comportamento de seus colegas motoqueiros. Segundo ele, grande parte obedeceu à determinação da Prefeitura de deixar a via expressa e passar a trafegar apenas pela local. "Mas eu acho que essa "nova lei" não muda muita coisa. Agora, vai ter mais acidente com motoqueiro na via local do que na expressa", diz.

No fim do primeiro dia de vigência da determinação, as opiniões dos motoqueiros que estavam no bolsão de motos na frente do Pátio do Colégio, um dos maiores de São Paulo, eram parecidas às de Marcel.

"Isso não vai funcionar, a sinalização na Marginal é confusa", reclama Pedro Mario da Silva, de 39 anos, motoqueiro há 15. "Quando você vê que é proibido, já tá lá no meio. E quem vem da Bandeirantes, por exemplo, e cai na expressa não vai sair dali."

O presidente do Sindicato dos Motoboys de São Paulo, Gilberto Almeida dos Santos, mandou imprimir 50 mil cartilhas explicativas com as novas normas, para distribuir entre os profissionais da categoria. "Falta um pouco de informação", acredita.

Quando se menciona o limite de velocidade de 70km/h na pista local, contra 90km/h na expressa, motoqueiros trocam olhares conspiratórios. "Amigo, já era difícil ficar nos 90, imagina então andar a 70", diz Tiago Porcino, de 18 anos.

Fábio Moreira Prado, de 37, na função desde os 16, afirma que quem roda em velocidade baixa na Marginal é "catado" pelos outros motoqueiros. "O problema é que a gente precisa pegar uma quantidade de serviço muito grande por dia. Hoje mesmo eu ainda não almocei (às 17h). Isso para ganhar R$ 1,6 mil por mês, com dois filhos pra criar. Você acha que dá para andar a 70km/h?"

Santos, do sindicato, acredita que a velocidade é o menor dos problemas. "Quem não cumprir o limite será multado", afirma. Sua maior preocupação é a possível proibição do tráfego de motoboys pela Avenida 23 de Maio. "A 23 é muito importante pra gente. Entendo a situação da Marginal, até concordo, mas não dá pra viver sem uma via que atravessa a cidade", avalia. / PAULO SAMPAIO

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