Portal Ternura FM/Divulgação
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Acidente entre carreta e ônibus mata estudantes no interior de São Paulo

Veículo de carga atingiu coletivo que voltava para Borborema; ao menos 11 morreram e 30 ficaram feridos, 16 em estado grave

Felipe Resk, Fernando Arbex e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S. Paulo

28 de outubro de 2014 | 07h30

Atualizado às 21h

BORBOREMA - Onze pessoas morreram e ao menos 16 ficaram gravemente feridas, após uma carreta se chocar com um ônibus que voltava de uma excursão estudantil na Rodovia Deputado Leônidas Pacheco Ferreira (SP-304), na altura do km 368, em Ibitinga, região de Bauru, interior de São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 23h30 de segunda-feira, 27.

Segundo a Polícia Militar Rodoviária, a análise inicial é de que o motorista da carreta perdeu o controle da direção, atravessou a pista simples da estrada e acabou batendo no ônibus que levava alunos da Escola Estadual Dom Gastão Liberal Pinto, da cidade de Borborema, a 30 quilômetros do local da colisão. Não há faixa de sinalização na pista onde aconteceu o acidente. A lateral direita do ônibus foi completamente arrancada. Várias vítimas foram arremessadas no asfalto e algumas ficaram presas nas ferragens. 

Os estudantes assistiram a um concerto da Orquestra Sinfônica do Estado (Osesp) na Sala São Paulo, na capital. “Foi uma tragédia. Foram ter contato com o que há de interessante na cultura e acontece uma coisa dessas”, lamentou o prefeito de Borborema, Virgilio do Amaral Filho (PSDB). Secretários municipais e estaduais e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), pelo Twitter, lamentaram o acidente. O município decretou luto oficial e suspendeu aulas.

Três professoras, uma diretora de escola municipal - que acompanhava os filhos - e sete adolescentes, entre 15 e 17 anos, morreram no local. Dezesseis pessoas ficaram gravemente feridas e 14 sofreram ferimentos leves - todas foram encaminhados às Santas Casas de Borborema e de Ibitinga, incluindo o motorista do caminhão, que teve ferimentos graves. O condutor do ônibus não ficou ferido.

Os corpos foram levados para o Instituto Médico-Legal de Araraquara e liberados à tarde. O velório coletivo no ginásio municipal de Borborema reuniu 5 mil pessoas - 2 mil ficaram do lado de fora. A cidade tem 15 mil habitantes.

Investigação. Até a noite desta terça-feira, 28, a Rodovia Deputado Leônidas Pacheco Ferreira permanecia interditada. Isso porque a carreta transportava óleo vegetal e houve incêndio na pista. De acordo com o chefe de investigação da Delegacia Central de Ibitinga, Marcos Vasconcelos, a polícia espera o resultado da perícia para avançar no inquérito. Quem for responsabilizado poderá responder por homicídio culposo. “Pelo que vimos, houve uma manobra em ‘X’. O nosso trabalho vai ser indicar quem invadiu a faixa de quem”, disse.

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER) negou que haja problemas de sinalização na SP-304. “A rodovia se encontra bem sinalizada, com placas indicando obras em andamento na pista a cada 5 quilômetros”, diz, em nota oficial.

O texto destaca ainda que “há placas determinando o limite de velocidade de 60km/h e sinalização solicitando aos motoristas que respeitem as placas da via”. “Quando não há pintura (na pista), tem de haver sinalização dia e noite”, explicou o presidente da Comissão de Trânsito da OAB-SP, Maurício Januzzi. De acordo com ele, a ausência das faixas pode ter levado ao acidente. “Mas nunca é por um fator só. É preciso verificar excesso de velocidade, condições do veículo e habilitação do motorista, por exemplo”, afirmou.

Uma funcionária da empresa de fretamento Jabotur, responsável pelo ônibus, afirmou que a prioridade agora era “atender às vítimas” e não comentou o acidente. Procurada, a Agência Reguladora de Transportes do Estado (Artesp) afirmou que a Jabotur está devidamente autorizada para fazer fretamentos.

Vítima"Essa vida é uma viagem, pena eu estar só de passagem", publicou José Vinicius Francisco Anzolin, de 17 anos, uma das vítimas da tragédia na SP-304, antes de embarcar para São Paulo. Por ter conseguido um lugar de última hora no ônibus da excursão, ele ainda escreveu a um colega como agradecimento: "Graças a suas mãos milagrosas, se não fosse por você eu não iria parça", após quase não poder viajar./COLABOROU RENE MOREIRA 

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