Nilton Fukuda/AE
Nilton Fukuda/AE

Acidente do Metrô poderia ter sido pior, diz Defesa Civil

Dois operários foram atingidos pelo guindaste e morreram na hora, na zona sul da capital paulista

Caio do Valle - Jornal da Tarde,

22 de junho de 2012 | 20h09

SÃO PAULO - O coronel Jair Paca de Lima, coordenador da Defesa Civil da Cidade de São Paulo, afirmou na tarde desta sexta-feira, 22, que o acidente que deixou duas pessoas mortas em um canteiro de obras do Metrô poderia ter sido ainda pior caso a grua tivesse caído na Avenida Ibirapuera, na zona sul. A ocorrência foi no local onde é construída a Estação Eucaliptos, em frente ao Shopping Ibirapuera.

Os serventes José Exerei Oliveira Silva, de 39 anos, e Antônio José Alves Ribeiro, de 31, morreram na hora quando a estrutura com mais de 20 metros de altura caiu sobre eles, por volta das 12h30. Os dois estavam limpando a área e fazendo a coleta de materiais quando foram atingidos pelo guindaste. Eles usavam capacete e material de proteção, mas os equipamentos não foram suficientes para protegê-los. Ribeiro era casado.

"Por sorte, o guindaste não caiu sobre a avenida, pois estava preso com cabos, senão o acidente seria de mais graves proporções", disse Paca, que vistoriou o canteiro. De acordo com ele, a estrutura retorceu, formando uma espécie "L" no terreno. "Se tivesse caído reta, teria caído sobre a avenida, sobre a fiação e sobre os ônibus, carros e pedestres passando no local."

O operador do equipamento estava manuseando a máquina no momento do acidente. Apesar disso, ele ainda não prestou depoimento para a Polícia Civil. O caso foi registrado no 27.º Distrito Policial (Ibirapuera) como homicídio culposo. O delegado Armando Roberto Bellio disse que já abriu inquérito policial para investigar as causas. Mais testemunhas serão ouvidas a partir de segunda-feira.

Segundo a polícia, a máquina que quebrou pertence à empresa Fundesp Fundações Especiais Ltda. Seus serviços estavam sendo locados pelo consórcio Heleno Fonseca/Triunfo/Tiisa, responsável pela construção do lote 5 da extensão da Linha 5-Lilás do Metrô. Esse trecho inclui as obras das estações Eucaliptos e Moema.

As investigações deverão determinar se o acidente foi provocado por imperícia ou por falha do equipamento. Alguns policiais comentavam que a grua, denominada "Lima", aparentava ser velha. Uma testemunha que não quis se identificar afirmou que o ferro da estrutura parecia estar retorcido no ponto em que cedeu.

Os dois funcionários mortos eram contratados com carteira assinada havia cerca de três e seis meses, respectivamente. Apesar da ocorrência, a Defesa Civil e a Polícia Civil liberaram a área para que as obras continuem. Cerca de 140 pessoas trabalham no canteiro.

A Polícia Científica fez durante a tarde um levantamento do local, com fotografias e filmagens da área do acidente.

Em nota, a Companhia do Metrô informou que abriu sindicância para apurar as causas e responsabilidades do acidente. A apuração será conduzida pela Gerência de Engenharia de Obras da Linha 5-Lilás. Em nota, o Metrô disse que lamenta os falecimentos e informa que prestará plena assistência às famílias das vítimas.

A extensão da Linha 5-Lilás ligará os bairros de Santo Amaro e Chácara Klabin, zona sul. Ela deve ficar pronta em 2015.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.