Bruna Tiussu/ Estadão
Bruna Tiussu/ Estadão

'Achem o avião': campanha pede buscas das vítimas do bimotor que caiu entre Ubatuba e Paraty

Copiloto José Porfírio de Brito Junior, de 20 anos, e o tripulante Sérgio Alves Dias Filho seguem desaparecidos

José Maria Tomazela e Leon Ferrari, O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2021 | 10h29
Atualizado 01 de dezembro de 2021 | 15h16

SOROCABA – Familiares e amigos dos desaparecidos na queda de um avião no mar de Ubatuba, no último dia 24, estão fazendo intensa mobilização nas redes sociais pelas buscas do copiloto, José Porfírio de Brito Junior, e do passageiro da aeronave. No Twitter, “Achem o avião” é um dos assuntos mais comentados desta quarta-feira, 1º. Sete dias após o acidente, dos três passageiros, apenas o corpo de um foi encontrado. 

A aeronave decolou às 20h20 do dia 24, do Aeroporto dos Amarais, em Campinas, e tinha como destino o Aeroporto de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro. A torre do aeroporto do Rio perdeu contato com o avião às 21h40, quando o aparelho sobrevoava o mar, entre Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, e Paraty, no sul do Rio.

As buscas, coordenadas pelo Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico de Curitiba, unidade da Força Aérea Brasileira (FAB), foram iniciadas na madrugada do dia seguinte, 25, com o uso de embarcações e helicópteros. No dia 25, uma equipe da FAB resgatou o corpo do piloto Gustavo Calçado Carneiro, de 27 anos, no mar, e encontrou destroços da aeronave. 

Na segunda-feira, 29, a Marinha informou que o navio-patrulha Guajará localizou também uma mochila com pertences dos tripulantes. As buscas prosseguem pela localização do copiloto Brito, de 20 anos, e do passageiro Sérgio Alves Dias Filho, 45.

A namorada do copiloto, Thalya Viana, usou as redes sociais para pedir que as buscas não sejam interrompidas. “A gente queria pedir aos bombeiros para continuar as buscas. A gente sabe que, por protocolo, as buscas em helicópteros param a partir de determinado momento”, disse. Em vários momentos, ela reclamou da falta de informações aos familiares dos desaparecidos.

A família do empresário Dias Filho, que é campeão brasileiro de jiu-jitsu e dono de uma empresa de blindagem, em Jacarepaguá, no Rio, se juntou aos esforços pela localização dos outros ocupantes do avião. A mãe dele, Tatiana Fogaça, postou mensagem agradecendo o esforço das autoridades nas buscas e pedindo que elas sejam mantidas. 

“Pedimos a todos que mantenham uma corrente positiva e que os responsáveis pelas buscas mantenham o empenho em encontra-lo”, escreveu. Ela fez um apelo aos donos de barcos com sonar que passam pela região que fiquem atentos a qualquer diferença na área e avisem a família ou as equipes de busca.

A mãe de José Porfírio, a esteticista Ana Regina, postou um vídeo com mensagem emocionada para que as autoridades não desistam das buscas. Personalidades como o surfista Pedro Scooby, as atrizes Tatá Werneck e Fabíula Nascimento, o ator Felipe Titto e o ex-piloto da Fórmula 1 Rubens Barrichello gravaram vídeos incentivando a procura pelo avião. 

“Vocês não sabem que dor é essa”, disse no vídeo. “Não existe corpo, então, meu filho não está morto. Eu não vou desistir de procurar o meu filho.”

Scooby fez um apelo para que as Forças Armadas ampliem as buscas. “Tem duas famílias nessa busca. Então, queria fazer um apelo e também uma corrente de oração por essas famílias. Ninguém quer passar por isso. É muito sofrimento”, escreveu.

No início da procura pelo avião, a família do copiloto chegou a alugar um barco para realizar buscas por conta própria. A mãe, Ana Regina Agostinho, continua participando das buscas em barcos alugados pela família. “Peço, por favor, que não desistam de procurar meu filho. Agradeço o apoio que estamos recebendo de tanta gente neste momento, nas redes sociais, e peço que os órgãos competentes não desistam de encontrar meu filho”, disse. Além dela e da namorada, os pais de Thalya também se envolveram nas buscas.

Outros internautas também têm se mobilizado. No Twitter, a campanha “Achem o Avião” ultrapassou o número de 16 mil tweets. 

Conforme a Marinha, as buscas se concentram na área do oceano que corresponde à divisa entre São Paulo e Rio. A mochila que supostamente era de um tripulante foi achada a 45 km de Trindade (SP), localidade vizinha a Paraty. Em nota, o Centro de Coordenação de Salvamento Aeronáutico do Comando da Aeronáutica informou que a Força Aérea Brasileira (FAB) continua na operação de busca e salvamento da ocorrência envolvendo a aeronave de prefixo PP-WRS, com a participação de um helicóptero H-36 Caracal. “Até o momento, uma área de 4.900 km 2 do litoral foi coberta pela busca aérea”, detalhou.  

Já o comando geral do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio informou que a operação de buscas pelos desaparecidos prossegue de forma incessante, com o uso de barcos, mergulhadores e helicópteros, além de equipamentos para rastreamento no mar.

 

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