Tarso Sarraf/AE
Tarso Sarraf/AE

Achado no PA corpo de vizinha de prédio

4 operários seguem soterrados; funcionária que aparecia na lista de desaparecidos ligou para dizer que decidiu faltar ao serviço no dia

Carlos Mendes / BELÉM, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2011 | 00h00

Bombeiros encontraram às 4h10 de ontem o corpo de Maria Raimunda Fonseca dos Santos, de 67 anos. Ela vivia na casa vizinha ao prédio de 34 andares que desabou anteontem no bairro de São Braz, centro de Belém. Ainda há quatro operários desaparecidos.

Responsável pelas buscas, o major Augusto Lima informou que Raimunda e um pedreiro estavam na casa na hora do desabamento. "O pedreiro correu para o quintal e se salvou. Ela foi para a frente da casa, onde caíram os escombros."

Os operários Luiz Nazareno Lopes e Isaías Marques, inicialmente incluídos na lista de desaparecidos, foram localizados em casa. Disseram ter deixado a obra minutos antes do acidente. Já a técnica em enfermagem Marluce Castro Bacelar, que também aparecia na lista, ligou para a Defesa Civil. Ela nunca tinha faltado ao serviço, mas no sábado, por razão que não soube explicar, decidiu não ir à obra.

Um prédio vizinho de 16 andares teve dois pilares atingidos na queda e foi esvaziado. Ocupantes dos apartamentos receberam autorização para retirar pertences, mas não podem voltar ao local até que seja feito um laudo do prédio. Ao todo, 127 pessoas estão desalojadas - 31 famílias estão hospedadas em um hotel.

Só após a remoção dos escombros e localização das vítimas a perícia começará a trabalhar. A hipótese mais comentada por engenheiros é a fragilidade das fundações. Responsável pelo cálculo estrutural do prédio, Raimundo Lobato da Silva fala em "falha geológica", que teria abalado as estacas. Segundo ele, o solo de Belém é problemático. Há locais onde a camada é bem resistente em cima, mas por baixo nem tanto. As estacas do prédio podem ter sido fincadas nessa camada pouco resistente. "Mas apenas a perícia poderá dizer o que de fato ocorreu."

Carlos Otávio Lima Paes, dono da construtora Real Engenharia SPE, responsável pelo edifício, disse que a obra estava toda aprovada e regulamentada. Ele acrescentou que a empresa aguardará o laudo sobre as causas e prometeu indenizar todas as vítimas. O responsável pela obra era seu filho, Carlos Otávio Júnior. Formado há um ano, ele já construiu outro prédio em uma área nobre de Belém.

O governador Simão Jatene (PSDB) esteve três vezes no local e ouviu queixas de moradores. Um deles disse que denunciou a obra ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea) e à Delegacia do Trabalho. O presidente do Crea-PA, José Viana, nega. "E o Crea não fiscaliza obras."

A Justiça determinou, ontem à noite, busca e apreensão de documentos na sede da construtora. A Polícia Militar mantém viatura no local para que ninguém entre ou saia do edifício. Hoje, o Ministério Público deve enviar promotores para recolher os documentos, incluindo o projeto.

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