Acesso à web ainda é difícil no litoral norte

Temporada deve levar 2 milhões de turistas à região e mais problemas de conexão; em Caraguatatuba e Ubatuba, deve-se usar ponto público

Reginaldo Pupo, especial para O Estado de S.Paulo

09 de dezembro de 2012 | 02h04

SÃO SEBASTIÃO - Com cada vez mais dispositivos com acesso à internet, moradores do litoral norte paulista, que já sofrem com conexão lenta e constantes quedas de sinal, estão preocupados com a "invasão" de turistas na temporada de verão.

Mesmo com a instalação da banda 3G, que não abrange toda a região, usuários se queixam da conexão e temem a chegada dos cerca de 2 milhões de turistas aguardados até o carnaval.

O problema já é sentido nos fins de semana e afeta até as máquinas de cartões de crédito e débito, que demoram a processar as operações. Nas areias das praias, turistas têm dificuldades para acessar a web em celulares, tablets e smartphones.

As primas Rebecca Furtado Müller, de 15 anos, e Milene Alvarez, de 16, por exemplo, se fotografavam na Praia da Baleia, em São Sebastião, na tarde de quinta-feira. "É pra gente postar no Facebook e fazer inveja para as amigas que ficaram fazendo prova." Elas aproveitaram e, pelo Instagram, clicaram o pôr do sol. "Agora nem preciso mais de câmera digital", gabava-se Milene.

Não muito longe dali, o empresário Varley Pasqual Cunha, de 47 anos, estava de olho na paisagem da Praia de Juqueí, mas dividia a atenção com a tela de seu tablet. Ele estava online em um programa de conversação instantânea aguardando o término de uma reunião em Curitiba (PR), na qual seu sócio fecharia um negócio. "Se o contrato se concretizar, já vou correr no hotel e estourar um champanhe." Só que as quedas de sinal derrubavam a conexão e o deixaram apreensivo e ansioso. "Às vezes dá vontade de jogar (o tablet) no chão e pisar. Mas a culpa não é dele, é da internet", admitiu.

Em Ilhabela, a modelo ucraniana Yuliya Postna, de 27 anos, também usava seu tablet para registrar imagens da paisagem e de um transatlântico ancorado no Canal de São Sebastião. Em português fluente, disse que enviaria as fotos, via Skype, para familiares em Sumy, sua terra natal, a 350km de Kiev, capital da Ucrânia. Como o tablet não permitia conexão com a internet por meio de chips telefônicos, teve de usar a rede Wi-Fi do hotel onde estava hospedada.

Algumas cidades do litoral norte, como São Sebastião e Ilhabela, oferecem internet gratuitamente, via Wi-Fi, em pontos turísticos. Na ilha, a rede está instalada no centrinho histórico. Em São Sebastião, a internet é oferecida em toda a extensão da Avenida da Praia.

Nos dois locais, o acesso exige paciência. A reportagem realizou testes com tablets, smartphones e notebooks. Em Ilhabela, quando não há navio (cada um chega a transportar até 3 mil turistas), os dispositivos conseguem conectar-se rapidamente à internet. Na sexta-feira, quando o maior navio em trânsito na costa brasileira estava ancorado na cidade, foi praticamente impossível acessar a rede.

Em São Sebastião, a dificuldade de acesso foi encontrada mais à noite. Durante o dia, porém, também houve quedas de sinal.

Empresas. As operadoras Vivo, TIM, Claro e Oi foram procuradas pela reportagem durante toda a semana, mas nenhuma comentou as dificuldades de conexão no litoral norte de São Paulo.

Caraguatatuba e Ubatuba. Turistas que precisarem acessar a internet em Caraguatatuba e Ubatuba terão de recorrer aos pontos do programa Acessa SP. Em Caraguatatuba, os terminais estão localizados na Praça Diógenes Ribeiro de Lima.

Segundo a prefeitura, a cidade não dispõe de acesso gratuito nos pontos turísticos. "Há um projeto em estudo na Secretaria Municipal de Planejamento, com previsão de ser finalizado em 2013", disse, em nota.

Em Ubatuba, o internauta poderá acessar a rede nas dependências da Fundação de Arte e Cultura (Fundart), antigo fórum, na Praça Nóbrega, 54, no centro. Segundo a prefeitura, os interessados podem utilizar a unidade de segunda a sexta, das 8h30 às 11h20 e das 14 às 17h20.

Um monitor fica à disposição dos usuários para orientar sobre a utilização dos equipamentos e a navegação na web. São oferecidos nove computadores. Cada usuário terá direito a 30 minutos de navegação por acesso, podendo renovar esse tempo, caso não haja fila de espera. / R.P.

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