Acervo de espaço na Vila Romana diminuiu em 68%

Público da Biblioteca Cecília Meireles tem 29,7 mil livros a menos à disposição desde 2006; Prefeitura já cogitou fechar unidade

O Estado de S.Paulo

05 Novembro 2011 | 03h02

Quem frequenta a Biblioteca Cecília Meireles, na Vila Romana, zona oeste da capital, percebe a diferença. A redução do acervo da unidade chega a 68%. Levantamento da Rede Nossa São Paulo revela que 29,7 mil exemplares deixaram de ser ofertados à população do bairro desde 2006. E não foi só isso. O espaço físico dedicado aos usuários também diminuiu. Os livros estão restritos hoje a uma única sala, com apenas três mesas de leitura e 12 cadeiras.

A unidade é a que registrou a maior queda na quantidade de livros nos últimos quatro anos. Em 2009, a Prefeitura até cogitou fechar as portas do espaço, que acabou se transformando em um centro de memória da vila - é esperada para os próximos meses a inauguração de um pequeno museu no local.

Hoje, a área reservada aos livros é pouco utilizada. São apenas 94 leitores cadastrados com permissão para emprestar livros. No ano passado, eram 104. A baixa procura, segundo funcionários, deve-se à mudança de perfil do equipamento e à ausência de uma ampla campanha na mídia que motive a leitura e a procura pelas bibliotecas públicas. Ontem, o espaço ficou vazio das 8h às 12h.

"Quando foi feita essa divisão, muitos moradores pensaram que a biblioteca tinha fechado. Acho que essa confusão afastou um pouco as pessoas, mais do que a baixa no nosso acervo, que é bastante completo", diz a atendente Vânia Machado, de 55 anos. O cardápio de livros oferecido aos leitores foi reduzido também por causa de uma enchente. "Foi no começo do ano. Muitos livros se perderam."

Para o coordenador executivo da Rede Nossa São Paulo, Maurício Broinizi, o levantamento mostra que a Prefeitura priva uma parte da população de ter acesso aos livros. "Esses indicadores, que são do próprio Município, revelam que falta investimento. Além de não ampliar o acervo, a gestão ainda deixa de repor o que já existe", diz.

Sem novidades nas prateleiras, a maioria dos usuários acaba transformando os espaços apenas em pontos periódicos de leitura. Ontem, às 13h, duas das quatro pessoas presentes na Biblioteca Adelpha Figueiredo, no Canindé, zona norte, folheavam jornais e revistas.

Christine Castilho Fontelles, diretora de Educação e Cultura do Instituto EcoFuturo, afirma que a capital precisa de uma estratégia criativa para atrair novos leitores. "É claro que os estoques sofrem quedas. Ou porque os livros estragaram e não houve renovação, ou porque não foram devolvidos. O livro é um bem muito frágil, se não manuseado direito. Mas não basta ter bibliotecas e acervo. É preciso formar uma cultura de leitura."

O instituto ainda defende que o horário de atendimento dos espaços seja ampliado. Hoje, as bibliotecas de bairro ficam abertas das 8h às 17h, em dias de semana, e a maioria não abre aos domingos e feriados.

Informatização. A Secretaria Municipal da Cultura informou que todos os livros considerados em mau estado ou desatualizados sofreram baixa durante o processo de informatização das bibliotecas. A secretaria, no entanto, afirmou que o levantamento da Rede Nossa São Paulo não está completo porque despreza o estoque de títulos das 45 bibliotecas dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), oito ônibus e 12 bosques de leitura.

Segundo a Prefeitura, foram investidos R$ 11,3 milhões na compra de 546.767 exemplares, desde 2005. Sobre a redução do acervo, a pasta cita que os livros em duplicidade são transferidos de unidade, o que pode explicar parte da diferença. Por ano, cerca de 1 milhão de obras são emprestadas. / ADRIANA FERRAZ

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