Ação no Rio termina com 6 mortos

Polícia Civil, em operação fora da rotina, ocupou duas favelas para desarticular quadrilha de roubo de carros no Complexo da Maré

Clarissa Thomé do Rio, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2010 | 00h00

Seis pessoas morreram ontem em operação da Polícia Civil em duas favelas do Complexo da Maré, na zona norte do Rio, para desarticular quadrilhas de roubos de carro que se escondem no local. Entre os mortos foi identificado o traficante Alessandro Francelino dos Santos, o Pitoco. Ele era acusado de ter assassinado o repórter fotográfico do jornal O Dia André Alexandre Azevedo, de 34 anos, em tentativa de assalto em fevereiro de 2009.

A polícia admite que um dos mortos não tinha anotações criminais.

Numa ação fora da rotina - a Secretaria de Segurança não costuma realizar operações desse porte aos domingos -, 250 homens de 20 delegacias especializadas e distritais chegaram às favelas Nova Holanda e Parque União por volta das 6 horas. Eles estavam sob o comando do delegado Ronaldo de Oliveira, diretor do Departamento de Polícia da capital.

De acordo com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a data foi decidida durante o planejamento da operação - num domingo seria mais fácil cumprir os diferentes objetivos de cada delegacia, afirmou.

Um dos focos dos policiais era a quadrilha de roubo de carros que atua na Linha Vermelha, Ilha do Governador e Bonsucesso, na zona norte, chefiada por Pitoco, que morreu ao trocar tiros com a polícia. Pitoco era acusado ainda de ter matado quatro policiais militares e tinha sete mandados de prisão expedidos contra ele.

Houve intenso confronto com os criminosos assim que a polícia chegou à Nova Holanda. Um ônibus chegou a ser atravessado num dos principais acessos à favela para dificultar a movimentação dos policiais. Um caveirão, veículo blindado, ficou bloqueado até a retirada do ônibus. A operação teve apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de um helicóptero.

Os policiais apreenderam uma prensa utilizada na embalagem de drogas, equipamentos para o conserto de armas, quatro granadas e detiveram 20 pessoas. Os policiais fizeram revistas em moradores, pararam carros suspeitos e estiveram em casas, para tentar cumprir dez mandados de prisão. Um dos procurados, Rogério Rodrigues de Freitas, o Pará, foi preso. Dez carros e 24 motos roubadas foram recuperados.

Entre os seis mortos, a polícia informou que um não era traficante: Márcio Marinho de Souza, de 32 anos. Segundo parentes, ele saía de um baile funk e foi atingido por bala perdida. Já a delegada Valéria de Castro, titular da 21.ª Delegacia de Polícia (Bonsucesso), afirma que ele já estava baleado quando foi localizado pelos agentes. Uma perícia foi feita no local, para tentar descobrir de onde partiu o tiro que matou o rapaz.

Uma moradora da Nova Holanda foi atingida de raspão no braço, durante a troca de tiros.

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