Ação no Rio dá resultado, mas tem críticas

A participação inédita da Força Nacional de Segurança no combate ao tráfico e na retomada do Morro Santo Amaro, no Catete, zona sul do Rio, acabou com a cracolândia que se espalhava pela região, vizinha do centro. No entanto, o programa "Crack, é possível vencer" vai completar seis meses sob graves questionamentos em relação à internação compulsória de usuários.

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2012 | 02h03

Morador do Santo Amaro, X., de 17 anos, foi levado da cracolândia para o Lar de Euclides, em Sepetiba - um dos quatro abrigos da zona oeste especializados em dependência química -, a 58 km da favela. Quando a operação completou 100 dias, a reportagem do Estado visitou o abrigo. Até então, ele não tinha mantido contato com a família. X. disse que roubava para comprar droga e já tinha sido detido oito vezes pela polícia. "Estou com saudade da minha mãe", disse. Ele recebia medicação três vezes por dia. Quando o repórter chegou, no início da tarde, estava dormindo. Na conversa, parecia grogue.

As ações do programa na favela resultaram no acolhimento de 247 adolescentes e 24 crianças até a semana passada. Também foram acolhidos 4.558 adultos e 61 idosos desde 18 de maio.

"A lógica da assistência social no Rio é higienista e excludente. Não querem ver pobre na rua", criticou a psicóloga Alice De Marchi, uma das responsáveis pelo relatório do Conselho de Psicologia que, após visitas aos quatro abrigos da zona oeste, denunciou o "encarceramento e o uso descontrolado" de remédios.

A supervisora dos abrigos, Sabrina Fonseca, de 34 anos, formada em Direito, rebateu as críticas ao acolhimento. "Se seu filho tiver febre você vai perguntar se ele quer ir ao médico ou vai levar? A teoria é linda, mas a prática é muito diferente."

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