Ação não resolve dependência química

Análise: Arthur Pinto Filho

É PROMOTOR DE JUSTIÇA DOS DIREITOS HUMANOS, SAÚDE PÚBLICA, O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2013 | 02h02

Essa ação não tinha a menor possibilidade de dar certo. Em primeiro lugar, porque não há na história da humanidade uma ação policial violenta que resolveu a questão da dependência de drogas. Quando percebemos que a ação era desfechada basicamente pela Polícia Militar, com violência e truculência, como os jornais e a televisão deram, ficou claro que não havia a menor possibilidade. Se não bastasse isso, havia questões estruturais sérias que impediam o eventual sucesso. O governo estadual e a Prefeitura não tinham locais para onde essas pessoas pudessem ser encaminhadas. O Estado tem em torno de 300 vagas para todas as patologias e toda a cidade de São Paulo. Só na cracolândia, estimava-se em torno de 500 dependentes.

Após um ano, o que a gente nota é que a cracolândia continua, e piorada. Ela se atomizou por várias regiões do centro e agentes de saúde e de assistência social têm dificuldade de localizar as pessoas, porque viraram grupos nômades.

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