Tulio Kruse/Estadão
Tulio Kruse/Estadão

Ação na Cracolândia deixa feridos, depredações e comércio fecha porta

Conflito começou após agentes de segurança pedirem para os usuários desarmarem tendas que estavam na calçada da Alameda Cleveland

Tulio Kruse, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 18h50

SÃO PAULO – Uma operação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) com apoio da Polícia Militar para dispersar moradores de rua na Cracolândia, no centro da capital, deixou feridos e provocou transtornos na tarde desta terça-feira, 30. A PM usou bombas de gás e de efeito moral. Também foram registradas depredações e o comércio da região fechou as portas.

Por volta do meio-dia, agentes de segurança pediram para os usuários desarmarem as tendas que estavam na calçada da Alameda Cleveland. Os moradores do local teriam reagido e atirado contra GCMs, segundo a Prefeitura. A polícia usou bombas para dispersá-los.

Houve correria e grades de metal de uma obra de infraestrutura de energia ficaram destruídas na esquina da Rua Helvétia com a Alameda Dino Bueno. Um caminhão também foi depredado. Segundo um morador da região, uma viatura da GCM teria sido atingida por quatro tiros – a Prefeitura confirma que os agentes foram recebidos a bala, mas não disse se o carro foi atingido.

O comércio no local fechou as portas várias vezes. "É muito ruim porque eles fazem essas ações na hora de saída da creche. Havia um monte de criança circulando na rua", relata o comerciante Edson, que trabalha na Rua Helvétia e pediu para não ter o sobrenome identificado. 

Atendentes do Conselho Estadual de Diretos Humanos estavam no local no momento da confusão. Segundo eles, uma moradora de rua teve convulsões em meio à correria e algumas pessoas foram pisoteadas. Ao menos três tiveram crise de vômito por causa do efeito das bombas de gás. Questionada, a Prefeitura não informou quantas pessoas ficaram feridas.

"À tarde, não teve nenhum tipo de reação do pessoal da rua e vieram as bombas", diz o estudante Leôncio Nascimento, da ONG É De Lei, que estava no local. Entre moradores da Helvétia, houve relatos que policiais entraram em casas e quebraram móveis de quem não estava no chamado "fluxo", a concentração de usuários de crack.

A ação durou até às 17h, com os moradores de rua circulando nos quarteirões entre a Alameda Glete, a Avenida Rio Branco e a Avenida Duque de Caxias. A PM fez cordões de isolamento ao redor da área, e novas bombas foram atiradas por volta das 16 horas. 

Deslocamento

Como resultado da ação, os moradores  de rua agora se concentram mais próximos ao cruzamento da Helvétia e a Alameda Dino Bueno, a cerca de um quarteirões do local onde estavam no início do dia. Vários moradores de rua foram vistos vagando na região do Bom Retiro, nos arredores da Praça Princesa Isavel, o que indica que alguns usuários de droga do local dispersaram.

"Aqui a polícia bate, a polícia maltrata" diz uma moradora da Helvétia, que afirma que teve a casa invadida por policiais. "Ele não tem direito de fazer isso porque ele não tem mandado, aqui não tem bandido nem usuário."

Em nota, a Secretaria Municipal de Segurança Urbana, da gestão Bruno Covas (PSDB), afirma que a GCM foi "recebida com disparos de arma de fogo" durante ação de zeladoria. Nenhum agente ficou ferido.

"Dois suspeitos foram localizados durante as abordagens portando 6 munições calibre 38, também foram apreendidos com 2 balanças de precisão, 12 pedras de crack, 12 pinos de cocaína, 8 trouxinhas de maconha e R$ 102,00", diz a nota. Os detidos foram encaminhados para o Denarc, da Polícia Civil

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