JF Diorio/AE
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Ação na cracolândia interna 5 usuários de droga por dia

Balanço mostra que maioria é homem e tem entre 18 e 59 anos; só 20 adolescentes foram levados para tratamento

ADRIANA FERRAZ, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2012 | 03h04

A grande maioria é homem e tem entre 18 e 59 anos. O perfil dos dependentes químicos internados pela Prefeitura após o início da operação policial na cracolândia mostra que entre os dias 3 de janeiro e 22 de fevereiro, 218 de 268 pacientes eram homens e apenas 20, menores de idade, o que representa 7,4% do total. O restante é formado por mulheres. Não há crianças na lista. Na média, são cinco usuários internados por dia. Ontem, o número de internados estava em 287.

A dificuldade em convencer adolescentes a aceitar tratamento é considerada normal pelos agentes de saúde - em clínicas particulares, a divisão de pacientes é a mesma. A realidade, no entanto, preocupa especialistas, já que o organismo cria tolerância à droga e, por isso, quanto mais precoce o tratamento, mesmo que ambulatorial, mais eficaz ele pode ser.

Até agora, após abordagens de agentes de saúde e autorização de familiares, mediante indicação médica, 13 garotos e sete garotas que viviam na cracolândia acabaram internados. Eles têm entre 12 e 17 anos.

A Prefeitura não revela para onde foram levados os adolescentes - nem o restante dos pacientes. Eles podem estar abrigados tanto no Serviço de Atenção Integral ao Dependente (Said), única clínica municipal, como em uma das sete comunidades terapêuticas conveniadas. Ao todo, são quase 300 vagas.

A coordenadora de Saúde Mental, Álcool e Drogas da Secretaria Municipal da Saúde, Rosangela Elias, ressalta que nem todos os menores precisam de internação. "Na maioria dos casos, inclusive, ela não é indicada. A internação é sempre a última opção, principalmente entre os adolescentes. Ela ocorre quando não tem alternativa mesmo. O ideal é que eles sejam atendidos na rede de Caps (Centros de Atenção Psicossocial) e, depois, encaminhados a abrigos", diz.

Segundo estimativa do grupo, os menores representam cerca de 15% do total de usuários da cracolândia. "Por isso, não consideramos o número de internações baixo. Quando o paciente é adolescente, outros problemas, além da droga, podem ter até mais relevância, como um ambiente familiar desestruturado."

Desde 2008, só duas crianças menores de 12 anos foram internadas pela Prefeitura. O número não mudou após o início da operação policial, em 3 de janeiro. "Muitas vezes, as crianças que vemos ali nem são usuárias. Servem como aviãozinho para os traficantes, mas se confundem em meio àquela população."

Já quando se trata de mulheres adultas, outros fatores são levados em consideração na hora de decidir pela internação. Muitas resistem em abandonar as ruas, pois é de lá que tiram seu sustento, prostituindo-se. "Mas quando aceitam, tendem a persistir mais no tratamento, incentivadas pela chance de recuperar os filhos, por exemplo", diz Rosangela. Atualmente, há 30 mulheres internadas.

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