Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Ação do oficial fugiu do manual de regras

A covardia de black blocs comoveu a opinião pública e o governo, mas o ataque ao coronel Reynaldo Simões Rossi também repercutiu muito mal na cúpula da PM. "A surra que levou expôs ao máximo a fragilidade institucional da corporação", disse um coronel ao Estado.

BASTIDORES: Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2013 | 02h01

Voluntarioso, sempre disposto ao diálogo com os manifestantes, desde as passeatas de junho, o coronel Reynaldo tentava comandar as tropas literalmente de peito aberto. Não usava colete nem capacete e não se importava em dialogar sozinho com grupos que depredavam o patrimônio.

Esse comportamento é contrário ao procedimento operacional padrão estabelecido pela Polícia Militar. Diálogos e paciência servem para dissuadir indivíduos em negociações de sequestro, por exemplo, mas não para controlar a massa. Um policial nunca deve ficar sozinho no controle de multidões, regra-chave da Tropa de Choque. E o desaparecimento da arma do coronel foi considerado o máximo da humilhação. Ninguém nega a boa vontade dele para o diálogo e as qualidades de seu caráter exemplar diante da tropa. Mas a reclamação dos oficiais é que, no comando das operações, ele não devia fazer o papel de amigo, de pai ou de líder. Era um policial e deveria tomar decisões com base nas regras.

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