Ação da FAB na fronteira rende parceria antidroga

Equipe de especialistas negocia abertura de centro para atendimento de dependentes em Foz do Iguaçu e Porto Alegre

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2012 | 03h02

A participação pioneira de especialistas em dependência química em uma operação militar, a convite da Força Aérea Brasileira (FAB), terá desdobramentos. O psiquiatra Jorge Jaber, presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), iniciou negociações para a abertura de centros comunitários de atendimento a dependentes em Porto Alegre e Foz do Iguaçu, dois dos locais por onde a equipe passou na semana passada.

A equipe da Abrad vai dar cursos e certificar dois tipos de profissionais, o conselheiro e o acompanhante em dependência química. Enquanto o primeiro atua nos centros comunitários, no atendimento aos usuários de drogas e às suas famílias, o acompanhante é preparado para lidar cotidianamente com o dependente. No Rio, os cursos duram um ano. "É uma modalidade profissional recente. Permite diminuir o tempo de internação e, em alguns casos, até substitui essa internação", explica Jaber.

Foi o que aconteceu com um empresário carioca, dono de famoso restaurante da zona sul. "Ele não tinha como se afastar do trabalho e aceitou ser acompanhado 24 horas. Esse profissional recebe a técnica de como lidar com o paciente, até mesmo em caso de recaída", diz a diretora da Abrad, Ângela Hollanda.

No Chuí, outro lugar visitado pela equipe, ainda não foi estabelecida como se dará a parceria. A preocupação é com o projeto de lei do governo uruguaio para estatizar a produção e distribuição de maconha. A medida está em discussão no Congresso. "Estamos preocupados. Nossa fronteira com o Uruguai é apenas uma rua", afirmou o secretário municipal de Saúde, Daniel Gutierres.

União. A Operação Ágata, na quinta edição, reúne as Forças Armadas, Polícia Federal e outros 20 órgãos do governo federal. É montada para coibir os crimes de fronteira, como contrabando e tráfico. A convite da FAB, pela primeira vez especialistas em dependência química acompanharam os trabalhos para aliar um programa de prevenção ao uso de drogas às atividades de repressão.

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