Ação da Defensoria pede moradia popular no local

Os Edifícios São Vito e Mercúrio ainda não tiveram o mesmo destino dos vizinhos de quadra por conta de uma briga que se arrasta na Justiça desde julho de 2009. A Defensoria Pública entrou com uma ação civil pública pedindo que os edifícios sejam usados como moradias populares, em vez de darem lugar a um parque, como prevê a Prefeitura.

, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

"Queremos que a lei seja cumprida. O Plano Diretor de 2002 diz que o São Vito e o Mercúrio estão em Zeis (Zonas Especiais de Interesse Social)", afirma Bruno Ricardo Miragaia Souza, coordenador auxiliar do Núcleo de Habitação e Urbanismo da Defensoria. Segundo ele, se não houver como reformar os dois edifícios, a Prefeitura deveria construir novos prédios populares.

Segurança. A Defensoria não é a única a criticar os planos da Prefeitura. Comerciantes que trabalham ao lado do São Vito são contra a criação de um parque no local. "Isso vai atrair ainda mais mendigos e drogados para cá", afirma Anísio Camargo, de 54 anos, balconista de um bar na Avenida Mercúrio. Segundo ele, funcionários da Prefeitura que estiveram na região semana passada disseram que o terreno poderia ser transformado em um estacionamento para o Mercado Municipal. Uma passarela seria construída sobre o Rio Tamanduateí, segundo ele.

"Se fizerem o parque, vai ter de ter segurança", opina a vendedora Luciele Marchesi, de 21 anos, que viu, no sábado, a demolição de um prédio na esquina das Avenidas Mercúrio e do Estado. "Subiu uma poeira tão grande. Parecia que estava chovendo", lembra. A destruição foi possível após a Prefeitura incluir, em programas sociais, 80 famílias que ocupavam o edifício. "São pessoas que não têm onde morar. Vão ganhar R$ 300 por 30 meses (como aluguel social)", diz Ivanete de Araújo, coordenadora do Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC). / T.D.

CRONOLOGIA

A decadência do São Vito

1959

Inauguração

Planejado para ter 624 apartamentos, com 28 m2 cada, deveria atrair profissionais liberais, imigrantes e casais em um período de grande crescimento econômico da cidade.

Anos 1980

Decadência

Cerca de 3 mil pessoas viviam nos apartamentos, divididos irregularmente para duas famílias. A maioria dos moradores era de baixa renda. A coleta de lixo foi suspensa e muitos jogavam os sacos pela janela.

2002

Irregularidades

80% das ligações elétricas eram clandestinas. Em horário de pico, moradores ficavam 30 minutos na fila do elevador, que ia só até o 15.° andar - são 27 no total. Já tinha o apelido de "treme-treme".

2004

Desapropriação

A prefeita Marta Suplicy (PT) ordena a desapropriação e anuncia a reforma dos edifícios São Vito Mercúrio.

2005

Proposta de demolição

O prefeito José Serra (PSDB) propõe a demolição deles.

2009

Suspensão da demolição

A Defensoria Pública pede a suspensão das demolições.

2010

Auxílio

Ainda hoje, 152 famílias recebem R$ 300 de bolsa-aluguel da Prefeitura por determinação judicial.

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