Felipe Rau
Felipe Rau

Acadêmicos do Baixo Augusta dá o grito final do carnaval fora de época de SP

Estrutura montada no Vale do Anhangabaú tinha capacidade para 20 mil pessoas e os ingressos estavam esgotados

João Ker, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2022 | 17h13
Atualizado 25 de abril de 2022 | 10h52

O Acadêmicos do Baixo Augusta deu início ao seu carnaval de abril às 14h deste domingo no Vale do Anhangabaú. Com uma megaestrutura bancada pela própria organização, o clima entre o público era de despedida e já expectativa para o possível próximo carnaval de julho, o terceiro do ano e, dessa vez, com apoio da Prefeitura. 

Para acessar o espaço, os foliões precisaram retirar previamente ingressos online, que já estavam esgotados na semana anterior. A entrada só é permitida mediante comprovante de vacinação e a capacidade total é para 20 mil pessoas. 

"Já estamos nos programando desde novembro. Quando percebemos que não teria apoio da Prefeitura, nos precavemos para montar essa estrutura e manter o evento gratuito", disse Ale Natacci, presidente e um dos fundadores do Acadêmicos do Baixo Augusta. 

Conhecido como o maior bloco de rua de São Paulo, o Baixo Augusta cercou o Vale do Anhangabaú com grades de ferro e contratou mais de 300 seguranças e 60 bombeiros. Além das saídas de emergência espalhadas pelo espaço, também foram montados bares para a venda de bebidas e banheiros químicos.

O esquema agradou os foliões, que disseram se sentir mais seguros no interior do espaço. "A festa em abril está mais fraca, mas é o que deu para fazer e pelo menos não tem tanto empurra-empurra", comemorou o analista de marketing Diego Aquino, de 33 anos. 

Curtindo seu primeiro carnaval em São Paulo, a  pernambucana Daiane Araújo, de 25 anos, também disse se sentir mais protegida no evento e contou mal esperar pela próxima folia em julho: "Quanto mais carnaval, melhor. Estamos precisando soltar esse grito que ficou preso na garganta por quase dois anos".

Do lado de fora, centenas de pessoas sem ingresso curtiam a seleção de axés, mesmo sem acesso oficial ao evento. Alguns tentaram pular a grade de isolamento, mas foram bloqueados pelos seguranças.

Rainha de bateria do Baixo Augusta, a atriz Alessandra Negrini usou uma fantasia inspirada no tema Rainha dos Espelhos. “Pensamos em algo que remetesse a um futuro mais iluminado, mais alegre, mais feliz. Além de tudo que passamos com a pandemia, queremos um país melhor”, disse.

Madrinha do Baixo Augusta, a cantora Tulipa Ruiz comandou clássicos do carnaval de rua “Com o país tão fragilizado e machucado do jeito que está, se encontrar aqui, na rua, com todos vacinados, é voltar para um lugar de cura”, comentou com o Estadão.

Às 19h40, o Baixo Augusta começou a se despedir do carnaval fora de época com uma apresentação da bateria da escola de samba Vai-Vai. O presidente do bloco, Ale Naatacci, disse que o grupo ainda não definiu se participará da folia programada pela Prefeitura para julho deste ano.

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