Academias de parques precisam de manutenção

Equipamentos enferrujados, quebrados e sem peças dificultam a rotina de quem busca exercícios ao ar livre em espaços públicos

CAMILLA HADDAD , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2012 | 03h01

Fazer exercício nas academias ao ar livre dos parques públicos tem sido cada vez mais difícil em São Paulo. Na semana passada, a reportagem encontrou equipamentos quebrados, enferrujados e sem todas as peças em seis das principais áreas verdes da capital: os Parques do Ibirapuera e da Aclimação, na zona sul, da Juventude, na zona norte, Villa-Lobos, na zona oeste, Tenente Siqueira Campos, o Trianon, na região central, e Piqueri, na zona leste.

Há pelo menos dois meses, três equipamentos do Villa-Lobos estão interditados com faixas amarelas por falta de peças. A empresária Angela Pereira, de 39 anos, comenta que a academia era uma boa opção para quem não tinha tempo de praticar esportes em lugares fechados. "Infelizmente, agora está abandonada. O material me parece frágil e quebrou fácil demais." Segundo ela, que frequenta o parque duas vezes por semana, muitos adolescentes também brincam nos aparelhos.

Um dos seguranças do local disse à reportagem que as crianças não podem brincar nos equipamentos. "Sempre que isso acontece, nós apitamos e impedimos. Há vigilância o tempo todo." Para a professora Carmem Soares, de 45 anos, era necessário um professor para auxiliar na malhação. "Se colocassem um instrutor, ele ajudaria a utilizar a academia do modo certo e sem prejudicar a saúde."

Na Aclimação, dos quatro aparelhos indicados em uma placa, apenas um estava na área destinada à academia. Quem vai ao parque todos os dias relata que a situação é a mesma desde fevereiro.

No Trianon, na Rua Peixoto Gomide, uma das esteiras está interditada. Murilo Santos, de 65 anos, é aposentado e disse que a academia mudou sua vida. "Anteriormente, eu era sedentário. Foi uma oportunidade de mexer o corpo e de graça. Precisam cuidar", reclama.

O mesmo cenário foi visto no Parque da Juventude, no antigo Carandiru. Ali, três equipamentos estavam quebrados. Em um deles, as peças estavam jogadas pelo chão. Skatistas que vão ao parque diariamente têm um palpite. "Como está em espaço muito aberto, quase na rua, os carroceiros tentam arrancar o ferro para vender", afirma um estudante de 20 anos que preferiu não se identificar. No Piqueri, zona leste, peças estavam encostadas em um canteiro de obras e no Ibirapuera, na zona sul, havia peças danificadas.

Balanço. A febre das academias de rua começou há cerca de três anos na cidade. Segundo a Prefeitura, só o governo municipal mantém atualmente 163 academias. A última foi entregue na Avenida Brás Leme, na zona norte. Para o Instituto Fitness Brasil, apesar da iniciativa o ideal seria um projeto em que professores pudessem auxiliar a população na hora de malhar. Isso evitaria, segundo o instituto, problemas de saúde, principalmente no caso de idosos e adolescentes. A Prefeitura explicou que as academias são para pessoas acima de 16 anos.

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