Clayton de Souza/AE
Clayton de Souza/AE

Academias apostam em malhação mais divertida

Para atrair público, redes trazem novidades como ''Tour de France'' virtual e projeção 3D

Valéria França, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2011 | 00h00

Transformar a malhação em lazer - e não uma obrigação - é o desafio das academias mais modernas da cidade. Na Runner, por exemplo, uma competição batizada de Tour de France virou uma febre entre os adeptos da bike, que podem completar virtualmente, na sala de aula, o mesmo circuito de 3 mil quilômetros de montanhas e planícies da prova francesa de fama mundial.

A disputa é séria - no fim de 21 etapas, o vencedor da competição virtual da academia ganha até medalha. Por causa disso, o gerente comercial de vendas Marcelo Gianelli, de 40 anos, não perde uma aula na unidade de Moema, zona sul. "Se não dá para ir de manhã, vou à noite. O professor marca seus pontos. Se faltar, não ganho."

No mês passado, a Bio Ritmo usou uma estratégia parecida para animar as clássicas aulas de bike ao projetar em 3D o percurso de uma pedalada outdoor. Munidos de óculos especiais, os alunos tinham a sensação de estar mesmo no cenário apresentado. A aula ficou na programação apenas um mês e não tem data para retornar. Mas a academia já anuncia uma nova atração: a bio suspension, aulas em grupo onde os alunos treinam resistência e força muscular com o peso do próprio corpo.

"Aulas especiais hoje fazem parte da rotina", diz Peter Thomas, de 31, CEO da Runner, que no mês passado organizou 150 eventos nas 18 unidades do grupo, a maioria na capital. E aí vale de tudo, até mesmo colocar uma banda na sala de ginástica.

A explicação para esse fenômeno fica clara na pesquisa realizada pela Reebok com 15 mil alunos em 25 países. A maioria disse que achava a prática dos exercícios importante para a saúde, mas muito entediante. Seis em cada dez disseram que se exercitariam muito mais e não abandonariam os objetivos iniciais se as atividades fossem mais divertidas.

Outro motivo para as novidades é o aumento de esportistas não profissionais. "Estamos com um público cada vez mais heterogêneo. Há 20 anos, as academias eram frequentadas por paulistanos mais treinados, que saíram do fisiculturismo ou mesmo do esporte", explica Thomas, da Runner. "Hoje a motivação não é só estética, mas também por qualidade de vida."

Balé. No corredor da Academia Reebok da Vila Olímpia, um painel multimídia anuncia com destaque o balé fitness, que mistura as técnicas da dança com pilates. "A ideia é fazer com que o aluno se encante", diz a coordenadora Alexandra Trentini. A unidade fez a primeira aula na semana passada.

O professor, o bailarino Mário Américo, de 43, explica que os musicais estão em alta no Brasil. E a aula atrai mulheres, a maioria com o perfil muito parecido com o da pedagoga Andréa Ometto, de 27. Ela estudou balé clássico dos 7 aos 17 anos e malha quase todos os dias na academia. "Adorei a ideia de dançar de novo", diz.

Mais uma inovação da academia foi o jukari, uma aula desenvolvida em parceria com a equipe do Cirque du Soleil. A atividade acontece numa sala equipada com trapézios, que ficam a um metro do chão. Ali, os alunos fazem exercícios para fortalecer o abdome. "Parece difícil, mas é fácil", garante Alexandra.

Terceira idade. Na Runner, há ainda um time de professores treinados para atender os alunos que estão na terceira idade. Eles sugerem e orientam os exercícios adequados para facilitar as atividades cotidianas fora da academia. "As aulas ficaram mais fáceis para que qualquer um possa participar", diz Thomas.

Há dez anos, as aulas de step - plataforma de plástico onde os alunos sobem e descem, numa coreografia ritmada por música -, exigiam muita resistência aeróbica e coordenação dos alunos, e muitos desistiam por não conseguir acompanhar. Hoje, no lugar do step surgiu o air climber, um aparelho móvel que simula o sobe e desce do step e permite que a mesma aula seja dada em grupo, mas sem dança. "Ficou mais fácil", diz Thomas. "E todos participam."

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