Academia expulsa aluno acusado de agressão homofóbica

Bruno Portieri, que vendia produtos no local, foi indiciado por tentativa de homicídio após bater em estudante gay

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2012 | 23h49

Preso na última segunda-feira por tentativa de homicídio contra o estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP) André Baliera, de 27 anos, o também estudante Bruno Portieri, de 25, foi expulso da academia que frequentava como aluno e vendedor, na Chácara Flora, na zona sul de São Paulo. Segundo a vítima, Portieri e o personal trainer Diego de Souza, de 29, o atacaram por ele ser homossexual.

A agressão aconteceu quando Baliera voltava para casa, por volta das 19h de segunda, pela Rua Henrique Schaumann, em Pinheiros, na zona oeste.

Em nota divulgada ontem, o diretor da Peralta Fitness, Marcelo Peralta, disse que a academia repudia qualquer tipo de ato violento, "seja por motivo de agressão por homofobia ou de qualquer outra natureza".

"Por esse motivo, em relação à postura do senhor Bruno Portieri (que nunca tivera demonstrado qualquer sinal de descontrole ou falta de respeito, pelo contrário, sempre tratou a todos muito bem), nossa organização não dará continuidade a nenhum relacionamento com ele, que era nosso aluno e comercializava alguns produtos internamente."

Baliera divulgou anteontem no YouTube um vídeo no qual reafirma que houve uma tentativa de homicídio e que ser gay nunca foi fácil. "Fato é que eles me agrediram por causa da minha orientação sexual e tudo acabou como acabou", diz.

"Eu não quero apanhar outra vez. Não quero ter que fingir que não sou quem eu sou para poder voltar para casa com segurança", afirma, em outro trecho. Até as 20h de ontem, o vídeo tinha sido visto mais de 11 mil vezes.

Baliera ajudou a criar o Grupo de Estudos sobre Direito e Sexualidade (Geds) e trabalhou no Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura de São Paulo.

Resposta. Advogado de Portieri, Joel Cordaro afirmou que não tem conhecimento do comunicado da academia. "Com relação à situação processual, foi pedida a liberdade provisória dele e estou aguardando a decisão." O estudante está no Centro de Detenção Provisória de Osasco, na Grande São Paulo.

Sobre as acusações de Baliera, Cordaro diz que não houve uma tentativa de matá-lo. "Na verdade, quem agrediu foi o Diego, não o Bruno. E, mesmo assim, não houve tentativa de homicídio. Foi uma desinteligência, que levou a uma lesão corporal."

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