Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Academia anuncia doação de 480 mil litros de água na internet

Estratégia foi tomada após órgãos públicos e empresas recusarem doação; 'tínhamos de dar o exemplo', diz coordenador da Ecofit

FABIO LEITE, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2014 | 03h00

“Doa-se água!” O anúncio feito no Facebook parece miragem em tempos de seca extrema, mas foi o último recurso encontrado por uma academia da zona oeste de São Paulo que terá de esvaziar uma piscina semiolímpica para consertar rachaduras e não queria desperdiçar o líquido, cada vez mais escasso na cidade.

Foram várias tentativas para não despejar os cerca de 480 mil litros pelo ralo, antes de recorrer às redes sociais. “Tentamos a Prefeitura, mas disseram para procurar a Sabesp. Pela internet, um atendente da empresa disse que não era viável para eles. Procuramos clubes, empresas de poços e de caminhão-pipa, mas ninguém quis”, relata Rogério Franze, de 40 anos, coordenador da Academia Ecofit, localizada no Alto de Pinheiros.


Para efeito comparativo, a água disponível na piscina atenderia às necessidades de uma casa com quatro pessoas por três anos, considerando a recomendação de consumo diário de 110 litros per capita da Organização das Nações Unidas (ONU). “Nossa academia é a única ecológica do País. Aproveitamos água da chuva, temos aquecimento solar e tratamos a piscina com ozônio em vez de cloro. Os alunos estavam cobrando da gente para onde ia a água da piscina. Tínhamos de dar o exemplo, ainda mais em tempos de crise”, completou Franze. 

Foram duas semanas correndo contra o tempo para encontrar um “destino sustentável” para a água, com a obra marcada para este fim de ano. Com o engajamento dos alunos, a busca deu resultado.

Saída. Na tarde desta sexta-feira, 12, três caminhões-pipa farão algumas viagens para transportar a água da piscina até cinco condomínios residenciais. Um deles é onde mora o subsíndico José Fernando Blotta, de 58 anos, na Vila Leopoldina (zona oeste), que vai receber 60 mil litros para completar a piscina do prédio, que perdeu água por causa de um vazamento e também sofrerá reparos. “Por sorte não precisaremos esvaziar toda a piscina para consertar a infiltração, mas vamos ter de repor o que perdemos. Fiquei sabendo dessa doação pela associação do bairro e caiu como uma luva. Além do lado financeiro para o condomínio, tem o lado da sustentabilidade. Hoje em dia, uma gota de água vale ouro”, disse Blotta, que gastaria R$ 900 para encher a piscina com água da Sabesp.

A Sabesp informou que “agradece a iniciativa”, mas “não pode armazenar água de piscina em um caminhão-pipa por conter impurezas”. “A companhia utiliza os caminhões para atender casos emergenciais, como escolas, hospitais e postos de saúde. A água de piscina, no entanto, não pode ser armazenada nesse tipo de veículo destinado à água potável. Nesses casos, a Sabesp recomenda a reutilização dessa água por doação para outras empresas ou moradores da região”.

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