Abrigo será desativado, diz prefeitura

Imigrantes vão para outros locais; sobre alimentos, poderes municipal e estadual trocam acusações

Pablo Pereira, O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2014 | 03h00

O abrigo público da Rua do Glicério, na região central da capital, será desocupado para ser fechado até o fim deste mês, e a Prefeitura não pretende investir em melhorias no local. As informações são do coordenador de Políticas para Migrantes da Secretaria de Direitos Humanos do Município de São Paulo, Paulo Illes. “Os imigrantes que estão lá serão transferidos para outros equipamentos da Prefeitura, como a Casa de Passagem, que está sendo preparada na Rua Japurá”, afirma Illes.

No novo prédio, que terá 110 vagas, os imigrantes poderão ficar por até dois meses. “Nem todos os que estão hoje na Rua do Glicério serão levados”, adianta o coordenador. 

Segundo ele, a higiene do local está a cargo dos próprios imigrantes e há pessoas que já estão trabalhando, mas ainda permanecem no abrigo.

Illes diz também que a responsabilidade pelo fornecimento de café da manhã e almoço é do governo estadual. “A Prefeitura não pediu nada, foi o governador Geraldo Alckmin (PSDB) quem ofereceu alimentação. E em junho eles cortaram esse fornecimento”, declara. “Nós continuamos a fornecer o jantar”, justifica o coordenador municipal.

Prazo. Para o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Rogério Hamam, o Estado se comprometeu a fornecer as refeições para os imigrantes em caráter de emergência, por 60 dias. “Nós fornecemos até o dia 30 de junho, emergencialmente, pelo Bom Prato”, diz o secretário estadual. Segundo ele, a Prefeitura deveria solicitar a prorrogação da alimentação, mas isso não foi feito. 

“A Prefeitura teria de identificar essa população e solicitar a parceria, como fizemos no caso do pessoal da Cracolândia, que recebeu alimentação”, diz Hamam. 

Ele lembra que o Bom Prato oferece refeição por R$ 4,50. Na capital, o Estado banca R$ 3,50 e o usuário paga R$ 1. Esta parcela seria o custo para a Prefeitura.

Resistência. Na gestão Fernando Haddad (PT), porém, essa hipótese nem sequer é cogitada. “Não vamos pedir nada”, respondeu Illes. “Eles ofereceram e depois cancelaram”, diz o coordenador de Políticas para Migrantes da Prefeitura.

Illes diz ainda que a Prefeitura não planeja alojar imigrantes separados por nacionalidades. Alega que no Arsenal da Esperança, outro abrigo, convivem pelo menos 170 imigrantes de 20 nacionalidades. “Não faz sentido separar”, diz.

Procurado, o Ministério do Trabalho não respondeu ao pedido de entrevista sobre a redução na emissão das carteiras de trabalho.  

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