Abordagem policial na cracolândia termina com PM ferido

Câmera da GCM detectou dois suspeitos de vender drogas e portar arma; testemunhas dizem que PM usou bombas

Mônica Reolom, O Estado de S. Paulo

26 Maio 2015 | 20h53

Atualizada às 23h38

SÃO PAULO - Uma abordagem policial na cracolândia, na região central de São Paulo, terminou em confusão no fim da tarde desta terça-feira, 26. Um PM foi ferido levemente na cabeça. Moradores e comerciantes da região relataram o uso de bombas de efeito moral, mas a polícia não confirmou a informação.

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) informou ter identificado, pelas câmeras de monitoramento localizadas na Alameda Dino Bueno, dois homens que, aparentemente, vendiam drogas. Um deles estava com um objeto que parecia ser uma arma de fogo, segundo a guarda.

A Polícia Militar foi então acionada, e uma viatura foi enviada ao local por volta das 16h30. Os policiais ingressaram no meio dos usuários de drogas da cracolândia para prender os suspeitos. “O problema foi que os policiais foram sumariamente agredidos pelos integrantes do fluxo, que fizeram a defesa desses dois indivíduos”, explicou o comandante da GCM, Gilson Menezes.

Um dos suspeitos chegou a dar uma garrafada na cabeça de um PM. Ele foi socorrido e levado ao Hospital Santa Casa de Misericórdia e, depois, transferido ao Hospital Militar, na zona norte da capital. Seu estado de saúde era bom à noite.

“Eles (PMs) tiveram de conter essa agressão, defender-se para poder prendê-los. Na medida em que eles entraram no fluxo houve uma grande correria, o pessoal saiu da Dino (Bueno) correndo e os policiais prenderam os dois”, afirmou Menezes.

Nesse momento, segundo os moradores da região, a polícia usou bombas de efeito moral.

O presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) de Santa Cecília, Fabio Fortes, disse que comerciantes do entorno da cracolândia ligaram para ele pedindo ajuda. “Disseram que havia um cenário de guerra, com bombas de efeito moral e correria. Aquilo é uma Faixa de Gaza, um local de constante conflito”, ressaltou. A PM negou o uso das bombas.

O comandante da GCM não estava no local, mas diz ter acompanhado o tumulto. “Tudo foi muito rápido, não visualizei bombas de efeito moral. Eu acompanhei (a chegada dos PMs na cracolândia) pelas imagens (de monitoramento) mas foi rápido. Agora, evidentemente, se houve bomba, é porque não havia outra alternativa para dispersar aquele pessoal que estava agredindo os policiais.”

Os dois suspeitos foram detidos e encaminhados ao 77.° Distrito Policial (Santa Cecília), onde se constatou que a arma era de brinquedo. Mesmo assim, eles serão autuados por porte ilegal – caso seja constatado que ela estava sendo usada na prática de delitos – e por agressão, de acordo com a polícia.

Após a confusão, a GCM fez, como de praxe, a limpeza da rua, quando funcionários da Prefeitura retiram o lixo e jogam água no asfalto.

Ação da Prefeitura. A situação na cracolândia está mais tensa desde o dia 29 de abril, quando a Prefeitura fez uma ação para retirada do conjunto de barracas mantido pelos dependentes, conhecido como “favelinha”. Nesse dia, usuários de crack montaram barricadas com papelão, e a Tropa de Choque lançou bombas de gás lacrimogêneo. Dois moradores de rua acabaram feridos por estilhaços de bala.

Uma semana depois, dependentes químicos entraram em confronto com a GCM no momento da limpeza. Usuários de droga teriam usado cabos de guarda-sol, cadeiras e mesas para atacar os guardas – três deles sofreram escoriações.

Desde a ação da Prefeitura, bloqueios foram montados nas principais vias da região, e a GCM começou a vistoriar bolsas e sacolas de pedestres que queiram passar pelo local, na tentativa de controlar a entrada de drogas. O comandante da GCM diz que a prática continua, mas que é difícil evitar que drogas seja carregadas: “Estamos revistando se porventura a pessoa passar com sacolas, com bolsas, se tiver algum indicativo de que há uma suspeita fundamentada. Pequenas porções de pedras de crack e cocaína ou até mesmo um simulacro de arma, como esse que vimos hoje, podem entrar no meio das vestes, o que dificulta a percepção da GCM. E não vamos revistar todo mundo de forma indiscriminada”.

A corporação também começou a barrar a passagem de carrinhos de supermercado, carroças e qualquer outro material que pudesse ser usado para a remontagem das barracas. A Prefeitura cercou com tapumes o pedaço antes povoado de dependentes químicos.

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