Abin acha antenas de celular na Amazônia

Equipamento instalado para comunicação entre traficantes na mata fica na Bolívia; informado, país não faz nada

O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h02

No fim de 2011, quando preparava o trabalho de investigação prévia para a Operação Ágata 3 entre Mato Grosso e Rondônia, um agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) se deparou com uma cena estranha no meio da Floresta Amazônica: a pelo menos 100 quilômetros de qualquer cidade, três antenas de celular despontavam vários metros acima das copas das árvores.

As antenas estavam em território boliviano, o que impediu o governo brasileiro de investigá-las mais profundamente. O levantamento feito pela Abin revelou que o equipamento é usado por traficantes de drogas que transitam na região para se comunicar em ligações por celular.

As antenas captam sinais de companhias telefônicas bolivianas, o que impede o governo brasileiro de interceptar as ligações.

A Bolívia foi informada sobre a descoberta, mas até agora não houve qualquer ação do outro lado da fronteira. Apesar de serem comunicados sobre o trabalho do Brasil nas fronteiras e das tentativas de uma cooperação para que ações dos vizinhos sejam feitas de forma integrada, até agora só Colômbia mostrou interesse em trabalho conjunto.

Os números de apreensões feitas pelas operações brasileiras são consideráveis: R$ 40 mil em notas falsas, 500 litros de agrotóxico ilegal, 148 veículos contrabandeados e 6 mil quilos de droga só na Ágata 5. Mas o próprio chefe de Operações Conjuntas, tenente-brigadeiro Ricardo Machado, admite que isso é apenas uma ponta da montanha que passa nas fronteiras brasileiras todos os dias. "O que pegamos ali é apenas algum desavisado. É muito difícil uma operação dessa magnitude chegar despercebida. Mas o que precisamos fazer é levar a presença do Estado. Mostrar que essas regiões não estão desassistidas." / L.P.

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