Abertura de processo contra três acusados por acidente da TAM deixa familiares otimistas

Abertura de processo contra três acusados por acidente da TAM deixa familiares otimistas

Tragédia que deixou 199 mortos completa quatro anos neste domingo; missa na Sé lembra vítimas

Marcela Rodrigues Silva,

16 Julho 2011 | 16h02

SÃO PAULO -  Na véspera de completar exatos quatro anos da maior tragédia da aviação brasileira, cerca de 180 pessoas, entre familiares e amigos das 199 vítimas do acidente com o A320 da TAM, em Congonhas, se reuniram na tarde deste sábado, 16, para assistir a uma missa na Catedral da Sé, em São Paulo.

 

Apesar da ausência de protestos, eles aproveitaram para se manifestar quanto a decisão da Justiça Federal que abriu, nesta sexta, processo criminal contra Marco Aurélio dos Santos de Miranda e Castro, ex-diretor de segurança de voo da TAM, Alberto Fajerman, ex-vice-presidente de operações da TAM, e Denise Maria Ayres Abreu, ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), acusados pela Procuradoria da República pelo acidente em Congonhas.

 

Segundo o vice-presidente da Afavitam (Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAM JJ 3054), Archelau Xavier, os familiares estão otimistas. "A gente espera que a justiça seja implacável", disse.

 

Para Luiz Carlos Santos, 62 anos, que perdeu o filho Ricardo, um piloto de 30 anos, foram quatro anos de luta por justiça. "Nunca paramos de lutar porque tínhamos medo de que a pena fosse prescrita, ou seja, o processo encerrado. Mas a notícia veio em boa hora, num momento importante para nós. Estamos satisfeitos", disse. "Nós vamos continuar protestando, mas pela vida, para que acidentes como estes não aconteçam mais", completa.

 

Irmão de uma das vítimas, Roberto Correia Gomes, 55 anos, veio de Porto Alegre para as homenagens e fez questão de ressaltar a satisfação com a decisão judicial. "Não apaga nossa dor, nem a saudade. Mas é um alívio, pois foi por isso que lutamos neste quatro anos. Representa um pouco da verdade. É um alívio para todos nós."

 

A maior homenagem da semana, porém, acontece amanhã, por volta das 10 horas, no local do acidente, onde membros da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo TAMJJ3054 (Afavitam) se reunião. Segundo o vice-presidente do grupo, Archelau Xavier , pai de uma vitima, na ocasião eles irão assinar, junto com o Prefeito Gilberto Kassab, um protocolo de intenções com a Prefeitura de São Paulo para a construção do Memorial 17 de Julho, que deve ser concluído até julho do ano que vem. "O projeto já está pronto, mas amanhã vamos formalizar num ato simbólico", explica. Além de homenagens e um show, será celebrado um culto ecumênico.

 

Muitos familiares mostraram-se satisfeitos com a decisão do Ministério Público. "Felizmente, ontem, tivemos esta  notícia, de que três pessoas foram indiciadas pelo Ministério Público. E isso me deixou feliz por e saber que a justiça está sendo feita nesse País. Esperamos que, daqui para frente, órgãos competentes e as empresas tenham mais responsabilidade com a vida”, diz o carioca Enilson Gonçalves, 56 anos, pai da comissária Renata Oliveira.

 

"Tanto a denúncia do Ministério Público, quando a aceitação por parte da Justiça já soa a nós, familiares das vítimas, como uma vitória", afirma Roberto Correia Gomes, de Porto Alegre, irmão de uma vítima. "Queremos que os culpados sejam punidos mas, acima disso, que a segurança do sistema aéreo brasileiro, seja melhor. Que quando ocorrer um novo acidente seja realmente um acidente, não um descaso, não uma negligência."

 

Miriam Heinzelmann Priebe, 64 anos, que perdeu a sogra no acidente, também faz um desabafo. "A decisão da Justiça foi muito importante porque, nesses quatro anos, é tudo o que temos buscado. Esta é a grande notícia que nós temos nas vésperas de completar quatro anos. Nós, da associação de familiares, nos movimentamos, fizemos sacrifícios por isso e estamos satisfeitos."

 

O acidente

 

No dia 17 de julho de 2007 o voo JJ 3054 da TAM decolou do Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, em direção a São Paulo. O aeronave pousou por volta das 18h40 no aeroporto de Congonhas, na capital, mas não desacelerou durante o percurso da pista, atravessou a avenida Washington Luís e se chocou contra um prédio da própria empresa e pegou fogo. No avião estavam 187 pessoas e, nas proximidades do local do acidente, 12. Todas morreram.

 

(COLABOROU PAULO SALDAÑA)

 

 

 

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