ABC e São Paulo vivem dia de contar os prejuízos da chuva

Apesar dos transtornos, Defesa Civil diz que chuva não deixou mortos, feridos e desabrigados

Paulo R. Zulino e Andressa Zanandrea, estadao.com.br e Jornal da Tarde

22 de fevereiro de 2008 | 10h07

Apesar do estrago material, o temporal que caiu na noite de quinta-feira, 21, em São Paulo, não provocou nenhum caso de morte, de feridos e nem o registro de desabrigados, de acordo com os balanços iniciais da Defesa Civil Municipal e da Defesa Civil Estadual. Na região do Grande ABCD, houve o transbordamento do rio Tamanduateí e dos córregos Taboão e dos Couros.   Veja também:  Acompanhe ao vivo a situação pela Rádio Eldorado  Previsão é de chuva nos próximos dias  Veja como está o trânsito em São Paulo pelo iLocal  Veja os cuidados necessários em caso de chuva forte   Foram atingidos os municípios de São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema e Mauá, sendo o mais prejudicado São Caetano, com o transbordamento do Ribeirão dos Meninos. Lá, o índice pluviométrico registrou 80,5 mm de chuva. Na esquina da Avenida Guido Aliberti com a Estrada das Lágrimas, os efeitos da enchente ainda podiam ser observados na manhã desta sexta-feira, 22.   Um caminhão de pequeno porte continuava pendurado sobre um muro, depois de ser arrastado pelas águas. Outros veículos abandonados pelos donos estavam ao longo da Avenida dos Estados, que é a seqüência da Avenida do Estado, que passa pela capital paulista e se estende até a região do Grande ABCD. Moradores de ruas próximas a essas vias principais jogaram na rua móveis e outros utensílios domésticos que perderam por causa da enchente.   A força da chuva   Na capital paulista, na região do córrego Aricanduva, zona leste, o nível subiu mais de três metros, espalhando lixo pelas ruas. Na Avenida Luís Ignácio de Anhaia Mello, na mesma região, além da sujeira, a lama prejudicava a passagem dos motoristas. A maioria das ocorrências era de pessoas que não conseguiam sair de casa em razão dos alagamentos. O Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) registrou um total de 64 pontos de alagamento em toda a cidade. No entanto, todos eles eram considerados transitáveis.   Várias ruas da parte baixa da região do Ipiranga, na Zona Sul, foram afetadas pelas águas, que transbordaram dos córregos Ipiranga e Moinho Velho e do Rio Tamanduateí. Moradores passaram a madrugada limpando a sujeira e a lama que apareceram assim que acabou a enchente. No baixada Nossa Senhora das Dores, que fica entre os dois rios, várias casas foram atingidas, mesmo que a chuva, segundo os moradores, não tenha sido tão forte na região.   Na Rua Paulo Barbosa e na Avenida Teresa Cristina, muitas pessoas perderam móveis, que ficaram amontoados nas calçadas e em frente às casas. "Aqui não choveu muito, mas a água desceu do ABC para cá. Muito disso é o lixo que a turma joga. O povo é conivente", afirma Wilson Decillo, de 56 anos, da associação de amigos da baixada. Nas grades e no entorno do Ipiranga e do Tamanduateí, havia milhares de sacolas plásticas e outros detritos.   Uma pensão na Rua Guarda de Honra pegou fogo devido a um curto circuito ocorrido durante a enchente. No local, onde havia seis quartos, moravam nove pessoas, que agora não têm para onde ir. Os moradores contaram que, quando começou o alagamento, eles resolveram sair da casa. Mais tarde, foram avisados do incêndio. "Se fosse só a enchente, seria só mais uma. Mas com o fogo, perdemos tudo, até os documentos", disseram.   Na Avenida Tancredo Neves, uma longa fila de veículos, principalmente caminhões que saíam da Rodovia Anchieta, se formou durante as chuvas e continuou na madrugada. A causa principal do congestionamento foi o transbordamento do Córrego Moinho Velho.   O município de São Caetano do Sul, no ABC Paulista, foi um dos mais afetados pela chuva. O Ribeirão dos Meninos e o Rio Tamanduateí transbordaram, o que deixou várias famílias ilhadas. Quem precisava voltar para casa e estava em São Paulo, não conseguia chegar nem por trem, nem por carro ou ônibus, pois a Linha D (Luz - Rio Grande da Serra) não circulou entre as 18h30 e as 2h30, e as principais vias de acesso ao município estavam interditadas.           Na Vila São José, a água alcançou cerca de 2,10 metros. Foram duas horas de chuva, entre as 18 e as 20 horas de quinta-feira, 21. Na Avenida Guido Aliberti, em frente à Estação Municipal de Bombeamento Contra Enchentes, parte do muro na margem do Ribeirão dos Meninos caiu, bem como parte da pista. Nas ruas do bairro, depois de a água ter baixado, após a meia-noite, o cenário era de destruição: montes de móveis, alimentos, materiais de construção e até computadores, em meio à lama e ao óleo diesel, que saiu de uma retífica durante a inundação.   Muitos moradores, que correram para lajes e telhados de suas casas, precisaram ser resgatados com o bote da Defesa Civil. Foi o caso da inspetora de qualidade Maria Daguia, de 32 anos, e das filhas, de 4 e 7 anos, moradora da Rua Padre Mororó. "Fiquei desesperada, porque a água subiu muito rápido. Coloquei as meninas em cima da laje e depois subi", diz ela, que caiu e se machucou quando tentava escalar a parede.   Na Mooca, zona leste da Capital, o transbordamento do Rio Tamanduateí também deixou várias ruas alagadas. O nível de água chegou a 2 metros, segundo moradores. Na Rua Presidente Barão de Guajará, por volta das 2 horas, três pessoas lavavam uma oficina mecânica. A limpeza havia começado por volta das 23h e continuaria madrugada adentro.   O comerciante Arnaldo Cabrelli, de 54 anos, contou que a água atingiu cerca de 50 centímetros dentro da oficina. Dois carros foram danificados: um dele e o outro, de um cliente. No escritório, foram perdidos um computador, duas impressoras, documentos e ferramentas. "É a quinta vez que passo por isso em 30 anos na região."   Além da limpeza feita pelos moradores e comerciantes, caminhões-pipa da Prefeitura lavavam as principais ruas da região, como a Avenida do Estado, que ficou cheia de lama depois que o nível de água voltou ao normal.   Os estragos chegaram até nas áreas mais nobres da zona sul. Cerca de 20 carros foram arrastados na Alameda dos Jurupis, em Moema. A água chegou a mais de um metro de altura. Um Palio chegou a ficar sobre o capô de uma Blazer blindada. Foram danificados também veículos como Corolla, Corsa e Celta. Não houve feridos.   Outras cidades afetadas   Na Grande São Paulo, a Defesa Civil informou o município de Mogi das Cruzes foi duramente castigado pelo temporal. Para se ter uma idéia, em menos de duas horas, choveu o equivalente a todo o mês de janeiro, ou seja, 75 mm. As ruas na região central da cidade foram ocupadas pelas águas, obrigando proprietários de veículos a abandonar os carros. Foi organizado um mutirão para recolher o entulho e sujeira deixados pela enxurrada. Os problemas foram provocados pelo transbordamento dos rios Negro, Tietê e Ipiranga. Ruas e casas próximas a esses locais ficaram inundadas.   Em Marília, os bairros Nacional, Santa Clara e Jardim Bandeirantes foram os mais prejudicados pela chuvarada. Em Catanduva, choveu pouco menos de uma hora, mas foi suficiente para inundar ruas principalmente no centro da cidade. Diversas pessoas acabaram ficando ficaram ilhadas e automóveis foram arrastados ou cobertos pela água. Nessas localidades, apesar dos inúmeros transtornos, também não houve vítimas.   A cidade de São José do Rio Preto, a cerca de 400 quilômetros da capital paulista, foi outra que sofreu os efeitos do temporal. O rio Preto transbordou, alagando a Avenida Murchid Honsi e atingindo o centro da cidade e o bairro Jardim Mansur. Em conseqüência, residências nas imediações também foram inundadas. Em Tanabi, também houve enchente, com a água tomando conta de diversas vias públicas, mas, assim como em Rio Preto, sem o registro de vítimas.

Tudo o que sabemos sobre:
enchentesSão Paulochuvas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.