Abastecimento de lojas chegou a ser afetado

As manifestações da última semana expuseram os riscos de um sistema de transporte de cargas dependente dos caminhões. Mesmo com a adesão parcial dos motoristas, lojas tiveram problemas de abastecimento e cargas deixaram de ser embarcadas. Na opinião de especialistas, a sociedade deveria aproveitar a crise para discutir a adoção de outros meios de transporte de carga, como o ferroviário, por exemplo.

O Estado de S.Paulo

07 Julho 2013 | 02h06

"Esse é o momento para a sociedade pressionar os governos por meios de transporte mais eficientes. O rodoviário é mais suscetível a paralisações", afirma o professor Daniel Plá, que dá aulas de Varejo no MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Plá diz que notou um dos efeitos da paralisação na quinta-feira, quando foi a uma rede de fast-food e viu uma placa de "esgotado" sobre o painel com a foto de um hambúrguer.

O professor explica que o mercado varejista foi diretamente afetado pela mobilização dos caminhoneiros. "Foi fatal por causa da época em que a paralisação aconteceu. Além de ter sido na primeira semana do mês, período em que o brasileiro costuma comprar mais, ainda foi na sequência de uma época ruim para o comércio, atingido pelos protestos que tomaram conta do País."

Quando um produto começa a faltar, as lojas menores costumam comprá-lo em redes maiores e vendê-lo por um preço mais alto. Já as grandes redes varejistas, que geralmente trabalham com pouco estoque e reposição quase diária, não têm a quem recorrer.

O varejo ainda vai sofrer de uma semana a dez dias para normalizar o abastecimento, na opinião de Plá. Outro problema é o de cargas que deixaram de ser embarcadas. "Um cargueiro que já está cheio não vai deixar de sair porque cinco contêineres não chegaram a tempo. E isso pode afetar a imagem do País internacionalmente." / T.D.

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