Paulo Liebert/AE
Paulo Liebert/AE

Abandonados, imóveis do Metrô degradam Moema

Com suspensão da licitação, sobraram tapumes, mato e sujeira. Brooklin e Campo Belo também tiveram áreas desapropriadas pela Linha 5-Lilás

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2011 | 00h00

Tapumes acinzentados com o logo azul da Companhia do Metropolitano de São Paulo significavam uma boa notícia para moradores da zona sul, a tão esperada chegada do túneis do metrô à região. Hoje, no entanto, simbolizam abandono. Sujos, pichados e rodeados de mato e entulho, estão virando símbolo da degradação dos imóveis desapropriados pelo Estado em Moema, Brooklin e Campo Belo.

Com a suspensão da licitação da Linha 5-Lilás após suspeita de conluio de empresas, dezenas de casas, lojas e terrenos de uma das áreas mais valorizadas da capital foram praticamente esquecidas. Ninguém hoje trabalha efetivamente ali. E, ao longo das Avenidas Ibirapuera e Santo Amaro, as principais artérias da região, é possível ver mais de dez pontos de degradação, com imóveis servindo de depósito irregular de lixo e áreas invadidas por sem-teto.

"Isso desvaloriza os bairros. Está todo mundo com medo de estender contratos de locação ou investir em novos comércios sem saber o que vai acontecer por aqui", diz o corretor Cláudio Maracá, que há 12 anos trabalha em uma imobiliária de Moema. "À noite, a gente vê moradores de rua tentando passar pelos tapumes para dormir ali dentro, o que aumenta a sensação de insegurança."

A Linha 5-Lilás vai hoje do Capão Redondo a Santo Amaro, na zona sul. Tem seis estações e oito quilômetros de extensão. Com a ampliação, terá 17 estações e 20 km. O Estado decretou a desapropriação de 290 imóveis -180 já vagos, em posse do Metrô -, que incluem imóveis de alto padrão, como no quarteirão da Avenida Ibirapuera entre as Avenidas Cotovia e dos Eucaliptos, na região do Shopping Ibirapuera. Há ainda comércios que fecharam as portas nas redondezas das futuras estações esperando faturar com novos empresários interessados na região. Sem a licitação do Metrô, ganharam também pichações, lixo e mato.

"Fechou ali uma oficina, uma padaria, uma loja de colchões, um bar... Como o Metrô não veio, está tudo jogado às traças", aponta Márcia Ventura, moradora do Brooklin e dona de papelaria a poucos metros da futura Estação Água Espraiada. "Só não saí daqui ainda porque meu contrato de locação é longo, mas o proprietário já havia falado que aumentaria o preço. O complicado é que estamos em estado de suspensão, sem saber o que fazer. É um absurdo, porque há mendigos entrando nesses imóveis, gente jogando lixo. E o bairro vai sendo destruído."

Relatório da Corregedoria Geral da Administração do Estado de São Paulo do fim do ano passado achou indícios de conluio entre empresas que participaram da licitação para o prolongamento da Linha 5-Lilás no trecho Santo Amaro-Chácara Klabin. Segundo a apuração, não foi identificada conduta irregular por parte de agentes públicos, mas o conluio teria levado a fraude ao caráter competitivo da licitação.

O Metrô agora espera a defesa dos representantes de consórcio e empresas vencedoras da licitação para decidir o que fazer - o mais provável é que novo processo seja aberto - estuda-se o modelo de parceria público-privada. Não há mais prazo para conclusão da obra - o Estado já diz que a promessa para 2014 não será cumprida.

"Moro aqui há mais de 50 anos e estou cansada de promessas vagas", diz Lygia Horta, da Associação de Moradores de Moema. "Imóveis aqui são supervalorizados. Mas parece que o governo não liga, parece até desleixo. É um desrespeito aos moradores."

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