Abadía vai oferecer R$ 35 milhões à Justiça por sua extradição

Traficante tem audiência com juiz nesta quarta e quer negociar o cumprimento de sua pena nos Estados Unidos

16 de janeiro de 2008 | 08h29

O megatraficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, de 44 anos, deve oferecer R$ 35 milhões à Justiça brasileira para ser extraditado aos Estados Unidos. Abadía é chefe do cartel do Valle del Norte, na Colômbia, e está em São Paulo para se encontrar com o juiz Fausto Martin de Sanctis. A audiência está marcada para esta quarta-feira, 16, na 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo e o traficante chegou por volta das 9h30 ao local.  O patrulhamento do edifício e dos arredores era feito por policiais militares da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA). O traficante colombiano está detido no Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande (MS) e foi levado para a sede da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, na Lapa, na zona oeste da cidade, na noite de terça-feira, 15. Abadía passou a noite na sede da PF e chegou à Vara Criminal, que fica na Rua Ministro Rocha Azevedo, nos Jardins, no meio da manhã. Acusado de mais de 300 assassinatos na América Latina e de outros 15 nos Estados Unidos, vários deles de policiais. A intenção da defesa do traficante é de negociar a extradição de Abadía para os Estados Unidos, onde ele responde por crimes de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e assassinatos. O traficante promete entregar R$ 35 milhões de sua fortuna caso a justiça federal agilize o processo de extradição. Outra exigência do criminoso para entregar o dinheiro é não ter de cumprir pena no Brasil. A polícia acredita que os R$ 35 milhões prometidos por Abadía façam parte dos R$ 100 milhões que estavam escondidos dentro de um carro, que está desaparecido, na garagem de um prédio em São Paulo. A decisão de extraditá-lo cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília. Abadía acredita que quanto mais rápido pisar em solo norte-americano, mais fácil será negociar uma redução de pena através da entrega de mais dinheiro. Prisão No dia 7 de agosto de 2007, em operação sob o comando da Polícia Federal, intitulada "Operação Farrapos", Ramírez foi preso num condomínio fechado em Aldeia da Serra, na Grande São Paulo. Parte dos bens do traficante já foi leiloada recentemente. De acordo com o Ministério da Justiça, o prazo para a permanência do traficante colombiano no presídio federal é de um ano, prorrogável pelo mesmo período. Juan Carlos Ramirez Abadia tem uma fortuna avaliada em US$ 1,8 bilhão segundo o Departamento de Estado Norte-Americano. Texto alterado às 10 horas para acréscimo de informações.

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