Abadía ouve depoimento de testemunhas de acusação em SP

Traficante colombiano está preso em Campo Grande, mas advogado vai pedir transferência nesta quarta

17 de outubro de 2007 | 13h32

O traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía chegou ao começo da tarde desta quarta-feira, 17, no Forum Ministro Jarbas Nobre da Justiça Federal de São Paulo para acompanhar o depoimento de testemunhas de acusação de seu processo. Quatro pessoas devem depor, incluindo a dona da Clínica Bruel, Loriti Ferreira de Faria Bruel, responsável pela última plástica feito por ele, que é acusado de tráfico de drogas.   Também nesta quarta, o advogado de Abadía, Sergio Alambert, vai solicitar a transferência do traficante do presídio de segurança máxima de Campo Grande (MS) para a custódia da Polícia Federal em São Paulo. Um relatório médico feito pelo psiquiatra Paulo Marcio Bacha - que afirma que Abadía tem "humor depressivo, idéias obsessivas de cunho autodestrutiva (...), insônia freqüente e pesadelos que não o deixam dormir", além de alertar "para os fortes indícios de risco de suicídio" no rígido confinamento - será utilizado por Alambert para convencer o juiz Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, a decretar a transferência do criminoso.   O relatório foi elaborado com base em uma visita de 50 minutos do psiquiatra a Abadía, em Campo Grande, em 17 de setembro. Nela, o paciente se queixou de tensão muscular, cãibras, palpitações cardíacas e "medo de morrer nos ambientes fechados", com seguidas crises de tonturas e náusea.   Abadía alega ter "estas ansiedades e medos desde pequeno" por ser vítima das brincadeiras do irmão mais velho, que o prendia nos armários da casa em que moravam, em Palmira, na Colômbia. Os excessos do irmão, disse Abadía, faziam-no sentir-se fragilizado, mas "muito revoltado".   Apesar de considerá-lo lúcido, Bacha diz no laudo que seu paciente tem "idéias obsessivas de cunho autodestrutivo", "percebidas pelo paciente dentro da sua cabeça" quando isolado. Os pensamentos, segundo Abadía, seriam: "bata a cabeça até quebrar" e "acabe com tudo" e o impediriam de exercitar suas "atividades intelectuais" na cela.   Bacha medicou Abadía para combater problemas intestinais e não identificou outras alterações no exame físico ou na ausculta cardíaca do colombiano. Solicitou, porém, um exame cardíaco completo do paciente.   O médico ainda recomendou à direção do presídio que permitisse a Abadía caminhar ou correr e fosse promovida alguma atividade intelectual. "Ele é formado em engenharia e entende o português, mas pedimos que participe das aulas de alfabetização para ocupar seu tempo", disse Alambert.

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