Abadía ficará detido na sede da PF, na Lapa

Traficante estava no Brasil há 3 anos e foi detido na madrugada em companhia de uma mulher

Humberto Maia Junior, Estadão

07 de agosto de 2007 | 14h18

A Polícia Federal de São Paulo transferiu, por volta das 13h30, o traficante Juan Carlos Ramírez Abadía, preso nesta terça-feira, durante a Operação Farrapos, em uma casa de alto padrão em um condomínio de luxo em Aldeia da Serra, na Grande São Paulo. O criminoso deve ficar detido na sede da PF, na Lapa, zona oeste de São Paulo. Veja também:Operação contra tráfico de drogas prende 13 em 6 EstadosTraficante colombiano está no Brasil há 3 anos, diz PF De acordo com as primeiras informações, o traficante estava no Brasil há três anos, e foi detido na madrugada em companhia de uma mulher, também colombiana. Ramirez-Abadia é considerado um dos maiores traficantes de drogas da Colômbia e está no topo de um organograma produzido pelo Departamento de Tesouro norte-americano. A Agência Americana Antidrogas (DEA) oferecia até US$ 5 milhões em troca de informações sobre o seu paradeiro. A Operação Farrapos prendeu na manhã desta terça pelo menos 13 pessoas envolvidas com o esquema - três empresários seriam 'laranjas', segundo informações policiais.  Segundo informações policiais, Ramirez Abadia comandava um esquema de lavagem de dinheiro originário do tráfico de drogas internacional em São Paulo. A PF chegou até ele com o auxílio da Agência Americana Antidrogas (DEA). No local, a PF apreendeu diversos relógios caros, de marcas como Cartier, Bulgari e Rolex. Ainda segundo informações fornecidas pela Polícia Federal, Ramirez Abadia era dono de diversas propriedades de luxo no Brasil. Uma delas, uma casa de praia em Jurerê, em Florianópolis, estaria sendo vendida por R$ 3 milhões. Além desta, a polícia investiga outras propriedades em Angra dos Reis, Curitiba, Porto Alegre e uma fazenda em Minas Gerais. Por volta das 3 horas, 20 agentes da Polícia Federal chegaram ao local. Não houve resistência à prisão e, segundo a PF, ele teria confessado ser, de fato, o traficante procurado pelos Estados Unidos. Na residência, a PF encontrou diversos passaportes e, pelo menos, cinco carros na garagem. A operação, segundo a Polícia Federal, tem como objetivo desarticular uma quadrilha internacional de drogas. Os agentes da PF cumprem 16 mandados de prisão e 28 de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Perfil Nos anos 80, antes de começar a trabalhar no tráfico de droga, ele era um jovem de classe média alta, universitário e adorava cavalos. Em pouco tempo, se tornaria em um possível sucessor dos barões do Cartel de Cali, junto com o amigo Juan Carlos Ortiz. Em 1996, os dois se entregam à Justiça colombiana. O Departamento de Justiça dos EUA pediu sua extradição nessa época, por envolvimento com o Cartel do Vale do Norte.  O país não foi atendido e Chupeta, como é apelidado, cumpriu quatro dos 24 anos a que foi condenado - o traficante foi beneficiado pela confissão dos crimes. Suspeita-se que o traficante mantinha controle sobre os negócios mesmo dentro da prisão. A poucos dias de ser solto, seu amigo Ortiz foi assassinado. A autoria do crime foi atribuída ao novo sócio de Chupeta, Wílber Varela.  Ramirez Abadia é um dos nove membros do Cartel do Vale do Norte processados pelos EUA. Ele é acusado de enviar anualmente centenas de toneladas de cocaína a Los Angeles e San Antonio, por rotas marítimas e aéreas que partiam da costa do México. O traficante também é responsável pela criação sua própria rede distribuidora de drogas em Nova York e se dedicava ao transporte e comércio de heroína. Até a sua prisão, suspeitava-se que o traficante se escondia no Chile, Uruguai e Argentina.

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