A violência é um comportamento que se aprende em casa

O comportamento humano é apreendido. Quem apanha desde criança aprende que é assim que deve tratar e ser tratado. A mulher que apanha desde o namoro geralmente começou a ser agredida na infância pelos pais. Ela aprende que o único limite é a mão. Não há discussão nem muito menos conversa para resolver problemas. E, até por isso, quando conversa ou tenta argumentar parte para a agressão verbal.

Análise: Fátima Marques, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2010 | 00h00

Além da agressão física, essa mulher, em geral, também foi e é vítima de violência psicológica desde a infância. A desqualificação moral começa com as frases "você não presta para nada" e "você faz sempre escolhas erradas", entre outra pérolas. Sem perceber, pais criam insegurança, baixa autoestima e um adulto inseguro.

Quando a mulher insegura encontra o parceiro e começa a ser agredida fisicamente, ela fica insatisfeita, reclama, denuncia, mas não se separa. Aguenta as agressões durante longo período. Sofre de dependência afetiva e não consegue cortar o ciclo da violência. Essa mulher acha que não vai encontrar outro parceiro que goste dela. Vai além, sabe que, se largar o marido ou namorado, terá de assumir para a família - e para ela mesma - que realmente fez a escolha errada. Terá de assumir que seus pais tinham razão: "Não tem capacidade de fazer boas escolhas." Ela prefere ficar no relacionamento. Não é um raciocínio que faça conscientemente.

No atendimento terapêutico, procuramos desconstruir esse comportamento. Começamos reforçando a autoestima, mostrando as qualidades e a sua capacidade de escolher certo. O terapeuta estrutura o ego fragilizado. A mulher agredida desde a infância é uma potencial vítima da violência doméstica, mas também um potencial agressor. Bater é uma forma de se defender. Há muitos homens que batem porque cresceram apanhando ou vendo a mãe apanhar.

É PSICÓLOGA

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