TASSO MARCELO
TASSO MARCELO

A 'vinilmania' em discussão

Charles Gavin, músico e apresentador do programa 'O Som do Brasil', e André Gois, radialista da Rádio Eldorado e apresentador do programa A Hora da Vitrola, discutem a onda dos vinis

Priscila Mengue, O Estado de São Paulo

25 Março 2018 | 03h00

2 PERGUNTAS PARA...

 Charles Gavin, músico e apresentador do programa O Som do Brasil, do Canal Brasil

1. O que o vinil tem de diferente? É um som diferente, você pega na mão, é uma relação com a música mais profunda que ouvir um disco streaming. Requer tempo, equipamento. O streaming é meio impessoal, o vinil é uma coisa mais próxima, quase mítica. Tem gente jovem que compra mesmo sem ter toca-discos, os meus sobrinhos deixam expostos no quarto, como obras de arte. No digital não existe capa, tem pouca preocupação com quem toca.

2. O som do vinil é melhor? Nem sempre. O vinil impõe condições para você desfrutar. Mas o som é diferente, porque é analógico. Entre um bom equipamento com computador e um toca-discos mais ou menos, o computador é melhor. Assim como não dá para comparar umas caixinhas de computador com um baita toca-discos, com um vinil de qualidade.

3 PERGUNTAS PARA...

André Gois, radialista da Rádio Eldorado e apresentador do programa A Hora da Vitrola

1. O que o disco de vinil tem de diferente? É uma coisa física. Ele é grande, tem capa grande, você consegue ver os detalhes. Ouvir vinil também é sensorial, não só para os ouvidos, mas também porque você para para ouvir, tira da capa, vê as letras, tem muito mais informações que o CD, por mais que o CD também tenha encarte, essas coisas. Muita gente também fala que tem o som mais encorpado, mais grave, eu particularmente não ligo tanto para isso. Tem uma coisa romântica também, disso, de pôr na agulha. Por mais que esteja em boas condições, você consegui ouvir um chiado às vezes.

2. Está mais fácil comprar vinil? Está mais caro. Não é como antigamente que você conseguia comprar por R$ 10, R$ 20. Hoje o consumo está meio elitizado, mais para colecionador mesmo, não é qualquer um, tem que gostar muito mesmo.

3. Por que o vinil voltou? É uma coisa da vida. Não é só o vinil que voltou. Mas eu não acredito, por exemplo, que a fita de vídeo possa voltar, porque, diferentemente do vinil, ela não mantém a qualidade. O vinil mantém, permite uma alta qualidade. É natural essa volta. E também tem essa coisa romântica. Quando eu era moleque, eu catalogava cada um dos meus discos, com ficha técnica, nome do produtor. Hoje o mais natural seria tirar uma foto, não fazer uma ficha. Além disso, o vinil tem todo um cuidado no armazenamento, não pode ser empilhado, precisa ser em pé, para não empinar e prejudicar o som.

 

 

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