Paulo Liebert/AE
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A vida na cidade dentro da cidade

Maior complexo habitacional do País fica em Cidade Tiradentes, zona leste

Vitor Hugo Brandalise, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2011 | 00h00

Quase 37 mil apartamentos, em cerca de 1,4 mil prédios, onde vivem 147 mil pessoas. O maior aglomerado de conjuntos habitacionais do Brasil, em Cidade Tiradentes, extremo leste da capital, tem população superior a 596 dos 645 municípios de São Paulo. Nunca parou de receber novas unidades, mas, como não foram planejados setores para comércio e serviços, milhares de "puxadinhos" foram construídos. Além dos anexos ilegais, mesmo no meio do conjunto que mais recebeu investimento dos governos estadual e municipal, há também favelas e áreas dominadas pelo tráfico.

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Emprego. A explicação para o surgimento do comércio informal foi a falta de estímulo para que os moradores consigam trabalho no próprio conjunto. "Emprego por aqui não tem. Desde que minha família chegou, removida da Brasilândia, todo mundo sempre trabalhou fora. São três a quatro conduções todos os dias para mim, meu irmão e minha mãe", contou a promotora de vendas Tatiana Aparecida de Almeida, de 32 anos, que leva 3h30 para chegar ao emprego, em Guarulhos. "Tiradentes fica isolada mesmo. Todo mundo já acostumou, não tem banco nem casa lotérica. Um ou outro caixa eletrônico e só. De "Cidade", só tem o nome."

No meio de vários conjuntos, formou-se a Favela Maravilha - cujos habitantes são, principalmente, familiares de moradores dos complexos e ex-proprietários das unidades que não conseguiram se manter ali. "O conjunto estava caindo aos pedaços e os "noias" tomavam conta. Deixava roupas no varal e, um dia depois, já não estavam mais. Se é para construir e deixar de lado, não adianta", disse o vigia Fernando Henrique Duarte, de 33 anos, que viveu por dois anos em um conjunto e depois voltou para a favela. "Tenho família morando ali, mas eu não volto mais", afirma.

Quando a Maravilha ainda estava se formando, no início dos anos 2000, outra leva de imóveis começou a ser construída pela Cohab no Santa Etelvina - eram casas de dois andares, em setor conhecido como "Casinhas". É um dos pontos, segundo moradores e assistentes sociais, completamente dominado pelo tráfico. "Tem dia que nem carteiro entra. E polícia, de jeito nenhum. É o tráfico que regula quem entra e quem sai", diz uma moradora.

A Prefeitura afirma que, nos últimos cinco anos, a preocupação com o perfil do morador é maior. "Sabemos da necessidade de identificação do morador com sua casa", diz a superintendente de Habitação Popular da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), Elisabete França.

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