'A única forma é se infiltrar nesses grupos'

A eficiência no combate a grupos radicais que causam violência em manifestações públicas está, segundo o criminólogo Alain Bauer, na qualidade dos serviços de inteligência interior. Na prática, a receita é investir em espionagem.

PARIS, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2013 | 03h09

Bauer defende que os países disponham de serviços especializados em inteligência capazes de infiltrar os grupos, sem incitá-los à violência, e sim com o objetivo de conhecer suas intenções a cada manifestação. "A única forma de conhecer os manifestantes é se infiltrar nesses grupos. Todos os países tentam, nem todos conseguem. Por isso há sempre um risco de que uma manifestação degenere em violência", alerta, citando como exemplo negativo os protestos na Grécia contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia, que resultaram em grave violência no centro de Atenas entre 2010 e 2012.

Na França, um país que tem larga tradição em espionagem internacional e interior - até por enfrentar a ameaça terrorista permanente -, a existência do Ministério do Interior e de corregedorias de polícia serve para controlar a atividade dos agentes, de forma a evitar que os serviços de inteligência sejam usados para fins errados.

Para o criminólogo, excessos de violência de uma parte ou de outra são indícios de que o treinamento e os métodos das forças de ordem estão superados, porque não estão preparadas o suficiente para controlar multidões sem expor cidadãos ao risco de vida. "É sinal de incompetência quando há casos de excessos. Se a direção dos órgãos de segurança e da polícia dá ordens ruins, as ordens serão executadas e o resultado será ruim, mesmo que as equipes no terreno sejam muito boas", diz. "A eficiência se evidencia quando há uma crise." / A.N.

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