A transformação de Vanessa da Mata

A transformação de Vanessa da Mata

De poderosa à menina tímida, a cantora lota dois dias de apresentação em São Paulo com a turnê 'Segue o Som'

Gheisa Lessa, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2014 | 20h12


Camaleoa, é como Vanessa da Mata apresenta seu quinto álbum autoral 'Segue o Som' no Teatro Bradesco, em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Com duas apresentações, nos últimos dias 28 e 29, a cantora mostra que entende de música brasileira.

Durante a segunda apresentação na capital, é possível encarar diversas personalidades de Vanessa, que se revela entregue ao álbum. Vestida de dourado, descalça como sempre, com flores no black power, ela entra no palco com presença marcante. Aos versos da canção "Toda a humanidade nasceu de uma mulher", punhos erguidos e semblante fechado, arranca aplausos exclamados da plateia que é fã de carteirinha - canta e dança, mesmo estando sentada nas cadeiras de um dos mais tradicionais teatros da capital paulista.

Logo, a primeira transformação de Vanessa acontece: com meninice, ela entoa as primeiras notas de "Não me deixe só",  um dos maiores sucessos dos seus 12 anos de carreira. A cantora seduz com leveza, rebola com graça e segue o show apesar de demonstrar rouquidão, talvez por ser sua segunda apresentação no final de semana. Entre pequenas falhas de descompasso com a banda, a compositora segue com o show num formato que exige mais contato com o público. Vanessa conversa entre as músicas, conta histórias e piadas. Receita de sucesso garantido.

Já pelo meio do show, é a hora da terceira transformação da noite: transbordando sensualidade, Vanessa dança embalada por outro de seus grandes sucessos: o hit romântico "Ainda Bem".

Os clarões espalhados pelas telas de celulares, que só desapareciam trocados por palmas, mostravam o efeito-Vanessa: ela hipnotiza o público. 

Próximo do fim, ela segue costurando sua série de metamorfoses, não só de personalidade, mas rítima-experimental, com, agora, mostrando-se divertida. A banda começa a introdução de "Ai, Ai, Ai" e ela chama o público para a beirada do palco. Quem comanda a festa é ela.

Confiante sobre os arranjos musicais feitos em parceria com gerações diferentes da música brasileira (Lincoln Olivetti, Liminha, Kassin, Marcelo Janeci e Fernando Catatau) a diva da noite não deixa também de mencionar elogio recebido do cantor e compositor Gilberto Gil quando chegaram a interpretar, juntos, sua composição "Amado". "Fico emocionada de lembrar que Gil olhou pra mim e disse 'essa é a música mais linda feita no Brasil nos últimos anos'"


O show parece que vai terminar em um ápice de pop quando ela começa a cantar a música homônima à turnê, porém, movida pelo desejo de agradar sua audiência, Vanessa volta ao palco pela terceira vez com a última cartada. "Para que todos saiam daqui em paz", ela canta sentada, com seu violão no colo "Minha Herança: Uma Flor". E deixa a plateia emocionada. "Agora sim, obrigada São Paulo". Obrigada você, Vanessa.

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