A sucessão municipal já começou e o PT se aliou ao 'centrão'

A rejeição do aumento para Gilberto Kassab e seus secretários foi articulada pelos líderes do "centrão" e da bancada petista. O recado ao prefeito foi claro: com a eleição de Dilma Rousseff (PT), líderes de partidos que apoiaram o governo municipal entre abril de 2006 e julho deste ano, como PR, PMDB, PP e PTB, agora vão estar na oposição, em aliança com a ala petista que planeja defender a candidatura de Marta Suplicy (PT) à Prefeitura em 2012.

Bastidores: Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2010 | 00h00

Não foi o prefeito Gilberto Kassab (DEM) nem seus secretários que pediram a votação do aumento salarial rejeitado ontem. Quem articulou a volta da proposta - já rejeitada no ano passado - ao plenário e o consequente desgaste ao chefe do Executivo foram a bancada do PT e o presidente da Câmara Municipal, Antonio Carlos Rodrigues (PR).

Essa articulação mostrou que o prefeito vai ter de pagar um preço alto se quiser reconquistar a maioria no Legislativo. Ciente da insatisfação de vereadores que apoiaram a reeleição do democrata em 2008, mas ficaram sem cargos nas subprefeituras, o PT angariou apoios regionais de vereadores na capital para a campanha de Dilma Rousseff, principalmente nos extremos das zonas leste e sul.

Do DEM e com forte reduto eleitoral no Capão Redondo, o vereador Milton Leite, por exemplo, apoiou Dilma e, como contrapartida, agora tem o apoio do PT para tornar-se o presidente da Casa no biênio 2011-2012. E a ala petista ligada a Marta Suplicy, da qual Rodrigues é suplente no Senado, quer usar a Câmara para atirar na vidraça do governo Kassab em seus dois últimos anos de gestão.

Se o prefeito quiser tirar o "centrão" das mãos do PT, vai ter de rever sua política de indicar coronéis da reserva da Polícia Militar sobretudo para as subprefeituras. E, mesmo se o fizer, corre o risco de acabar traído de última hora. A campanha de 2012 para a Prefeitura de São Paulo começou ontem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.