A semana que mudou a vida carioca

Em uma operação sem precedentes, policiais em blindados da Marinha invadiram fortaleza do tráfico e puseram traficantes para correr

, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

Foi a maior ofensiva do Rio contra o tráfico de drogas. Em uma semana, depois de uma onda de violência que assustou os moradores e mobilizou todo o País, pelo menos 49 pessoas morreram e outras 85 ficaram feridas em confrontos na capital fluminense. Os ataques e tiroteios entre policiais, Forças Armadas e criminosos aterrorizaram a vida da população, que conviveu diariamente com situações de extrema violência por todo o Rio.

Nos primeiros dias dos ataques, a cidade ficou refém de arrastões, balas perdidas e assaltos. A ordem para espalhar o terror, segundo o governo, teria partido de traficantes presos na Penitenciária Federal de Catanduvas (PR) - depois transferidos a Porto Velho. Os ataques seriam uma reação às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que retomaram áreas dominadas pelos traficantes.

Quando a situação ficou insustentável, veio a reação. Com blindados emprestados da Marinha, o Bope invadiu a Vila Cruzeiro e pôs os criminosos para correr - as cenas de bandidos fugindo para o vizinho Complexo do Alemão pela mata da Serra da Misericórdia foram transmitidas ao vivo pela televisão. Horas depois, Exército e Aeronáutica também entraram na operação. "A comunidade hoje pertence ao Estado", resumiu um dos responsáveis pela invasão da favela. Nas vielas do Alemão, bandidos das facções Comando Vermelho (CV) e Amigos dos Amigos (ADA) empunhavam juntos suas armas, enquanto militares e policiais preparavam a invasão do complexo, num ambiente de guerra cujo desfecho ainda é incerto.

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