''A questão é urgentíssima. Outros morrerão''

João Grandino Rodas, REITOR DA USP

Mariana Mandelli, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2011 | 00h00

No fim da tarde de ontem, o reitor da USP falou ao Estado.

O senhor é a favor da intensificação do controle de pessoas e carros na universidade?

Sabemos que, mais especificamente durante o dia, não há controle da entrada de pessoas, de carros, de nada. Qualquer um entra e faz o que quiser - existe a mística de um território livre. Temos o lugar ideal para o cometimento de qualquer tipo de crime. O ideal seria, no entanto, que a atividade preventiva não ficasse restrita às portas. A fronteira não é cercada, é porosa. Policiar os portões 1, 2 e 3 quase de nada resolve.

Como o senhor encara a resistência à presença da polícia?

O lógico seria que a população em geral e a comunidade da USP imaginassem que lá dentro (do câmpus) se é suscetível a verificações policiais preventivas como fora. Ou até mais, tendo em vista o grande número de pessoas que temos ali - muitos menores de idade. Dos 11 mil que ingressam todo ano, é enorme a quantidade dos que têm 17 anos. Precisa haver um mínimo controle. Quanto à ojeriza de certos grupos - ojeriza esta de que sabemos a razão, embora não concorde porque os tempos são outros -, não se trata de dar aval para a polícia fazer o que quiser. Acredito que deve haver um chamado à Polícia Militar, com base na comunidade da USP, dizendo que o policiamento preventivo é bem-vindo e necessário. Isso junto de outras medidas que estão sendo tomadas, como a questão da iluminação - a licitação já está pronta. Também deve haver melhoria das comunidades do entorno. No momento em que elas melhorarem, melhoram também a universidade e a cidade de São Paulo. Há meses trabalhamos nesses projetos.

O senhor é a favor da presença da polícia mo câmpus?

Sim. Mas, como reitor, não tenho competência para fazer esse chamado sem que haja embasamento da comunidade e dos colegiados da USP. Não posso fazer simplesmente porque penso. Por isso, fiz um pedido para uma reunião amanhã (hoje) da comissão do câmpus, que fez solicitações - mas para médio prazo. Só que a questão é urgentíssima. Já morreu gente e outros morrerão. Nossa guarda não tem poder de polícia, não é armada, não amedronta. Pode ser aumentada o quanto for.

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