A psicologia das massas e torcidas organizadas

Análise: Daniel Martins de Barros

É PSIQUIATRA DO HC, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2012 | 03h02

Que as escolas de samba se movem perigosamente próximas de uma área de sombras, interagindo com grupos historicamente violentos como torcidas organizadas, é senso comum. Essa vizinhança pode ter potencializado o desdobrar dos acontecimentos.

A partir do século 20, o pensamento sobre as massas foi sendo gradualmente transformado. De irracionais, as multidões passaram a ser vistas como possuidoras de um pensamento, uma racionalidade que surgia não só do pano de fundo das pessoas, mas também da força da identificação entre elas. E o risco de o comportamento do grupo se tornar violento dependeria de dois fatores: o quanto de legitimidade se confere à polícia e o quanto de poder o grupo vê em si.

As imagens do vandalismo na Marginal podem ser analisadas de acordo com esse modelo: eram membros de torcidas organizadas, que têm um histórico de conflitos com a PM - o que confere um senso de identificação interna grande. Para conter isso, experiências bem-sucedidas na Europa, paradoxalmente, reduziram o policiamento ostensivo.

Funcionaria para o Brasil? Não sei. Mas, se quisermos preservar as "paixões nacionais", já passou da hora de pensarmos cientificamente na questão das organizadas.

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