A proximidade entre fé e ciência

Na mesa com o neurocientista Miguel Nicolelis

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

08 Julho 2011 | 00h00

De certa maneira, a ciência é uma religião, concedeu o neurocientista Miguel Nicolelis, ontem, em debate na Flip com o filósofo Luiz Felipe Pondé, ao ser questionado sobre os termos que usa para tratar de seu campo de estudo no livro Muito Além do Nosso Eu, como "a alma do cérebro", "a busca do Santo Graal no campo da neurociência" e "milagre". A proximidade entre a fé religiosa e a fé na ciência foi a principal discussão da conversa, mediada pela editora executiva de cultura do Estado, Laura Greenhalgh.

Pouco antes, ao explicar os trabalhos do projeto global Walk Again, cujo objetivo é criar exoesqueletos comandados pelo cérebro, Nicolelis havia embargado a voz e arrancado aplausos da plateia ao dizer que espera que "na Copa do Mundo de 2014 no Brasil, uma criança quadriplégica possa capitanear a seleção em direção ao campo e executar o primeiro gol da ciência brasileira para toda a humanidade".

"Quando digo que a ciência e a religião sempre se cruzam é porque a ciência acaba se tornando uma espécie de grande esperança do ser humano", disse Pondé, estudioso das religiões. Ele argumentou que a ciência acaba por causar novos medos. "Para quem tem medo de voar, não adianta dizer que há menos acidentes de avião que de outros meios, porque quando bate morre todo mundo. E o medo decorre de saber que o avião é resultado de muita técnica, e que justamente essa técnica pode ser responsável por um tipo de acidente que não existiria antes dela."

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