''A prova os compromete. Essa é a verdade nua e crua''

Promotor desde 1988, Francisco José Cembranelli já atuou em 1.077 júris e diz ter ganho mais de mil casos. Conselheiro do Santos Futebol Clube, ele é casado e tem dois filhos. "Eles me perguntavam e queriam respostas. Foi difícil dar algumas respostas. Foi delicado". Cembranelli entrará no plenário do júri com uma maquete do prédio e do apartamento dos Nardoni. Vai tentar provar aos jurados que o casal matou a menina Isabella, jogando-a pela janela.

Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

21 Março 2010 | 00h00

O senhor vai fazer a acusação dos réus. Qual é sua convicção?

A convicção não surge do nada. Ela é submetida ao crivo do Poder Judiciário. O promotor age de acordo com sua consciência fazendo valer o que ele acha legal e justo, mas submetendo todo o seu trabalho ao Poder Judiciário e, até o momento, não houve qualquer tipo de reparo ao trabalho da promotoria. Ele estabeleceu em que ordem e o que de fato aconteceu com Isabella...

E o que de fato aconteceu?

O que eu acredito que se passou é que Isabella foi agredida naquela noite trágica. Essa agressão foi crescendo, ela acabou sofrendo uma asfixia mecânica com farta e indiscutível prova no processo, Isabella acabou defenestrada depois de uma sucessão de atos cometidos pelos acusados.

O casal matou Isabella?

É o que a prova mostra. A prova os compromete. Essa é a verdade nua e crua.

Como ter certeza de que inocentes não serão punidos?

A lei estabelece os meios pelos quais o promotor se apodera da verdade. Às vezes, o jurado, depois de votar, no cafezinho informal, faz perguntas que nos deixam perplexos. Já teve jurado que me perguntou: "Doutor, quando o senhor vai pra casa, naqueles casos em que o senhor tem certeza de que o réu é inocente, o senhor não fica com a consciência pesada?" Eu digo que não, pois, sob a minha ótica, nunca pedi a condenação de um inocente, pois eu reúno as provas suficientes de acordo com a lei. Se não conseguir, peço absolvição.

Não lhe incomoda a falta da confissão dos réus?

Eu digo pra você que, em 99,9% dos júris que fiz, os réus sempre discordaram dos pedidos de condenação. Ou negam o crime, ou, quando admitem, alegaram legítima defesa. Pela ótica dos acusados, todos são inocentes. Isso não me abala.

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