Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

A primeira viagem no teleférico do Alemão, no Rio

Inauguração do equipamento que deve incluir o complexo de comunidades no roteiro turístico da cidade está prevista para maio

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2011 | 00h00

RIO

Previsto para a última semana de maio, o início das operações do teleférico do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, deve incluir o conjunto de comunidades no roteiro turístico da cidade. Com 3,4 quilômetros de extensão e seis estações nas 16 favelas da região, o sistema revela paisagens e belezas pouco conhecidas e expõe ainda mais as contradições cariocas - capaz de erguer empreendimento de engenharia espetacular do lado de bolsões de miséria.

A região, considerada um quartel-general do tráfico de drogas até a ocupação pelas Forças Armadas cinco meses atrás, reúne cerca de 70 mil pessoas. Segundo o governo do Estado do Rio, responsável pelas obras, o teleférico vai reduzir de 1 hora para pouco menos de 20 minutos o tempo gasto para percorrer os extremos do complexo. Ontem, o Estado experimentou os potenciais turístico e de transporte do sistema com o secretário de Estado do Comércio Exterior da França, Pierre Lellouche, e o vice-presidente da POMA (empresa francesa responsável por sistemas de elevadores a cabo em vários países), Christian Bouvier.

As gôndolas são confortáveis, apesar de quentes. Praticamente não se ouve ruído das máquinas durante o percurso. O momento mais impressionante é entre as Estações do Morro do Alemão e do Itararé. A velocidade da gôndola e a altura em relação ao solo dão a impressão de que o usuário está voando.

A rota do teleférico passa por cima da famosa Rua Joaquim de Queiroz, uma das principais vias do Complexo do Alemão, e da Favela da Grota - locais que viviam cheios de traficantes de drogas.

"Esse aqui morreu de medo", apontou o menino André Ferreira Lopes Jose, de 12 anos, para o amigo Nelson Thiago Soares, de 8, durante o passeio. Moradores do Morro do Adeus, os dois foram convidados pela reportagem para dar suas impressões ao longo do trajeto. "Vou ficar fanático. Só quero saber o preço da passagem para andar nesse negócio", dizia exultante André. Ao ser informado que os moradores teriam duas viagens diárias gratuitas, o menino não se conteve: "O quê?! Vou fazer um estrago. Vou me acabar aqui."

Em obras. Faltam detalhes de acabamento nas estações e alguns testes finais para o teleférico começar a funcionar regularmente. A última estação do sistema, na comunidade da Fazendinha, ainda abriga o comando do Exército na operação de ocupação da comunidade.

Ainda de acordo com o governo, também faltam detalhes para fechar o acordo para que a SuperVia - a criticada concessionária que explora os trens do Estado - assuma as operações do teleférico. O sistema terá capacidade para transportar até 1,5 mil pessoas simultaneamente. O custo total da obra foi de R$ 210 milhões.

Transporte

30 mil

passageiros deverão ser transportados diariamente quando o teleférico entrar em funcionamento

152

são as gôndolas usadas no sistema do Complexo do Alemão

142 metros

é altitude da Estação Fazendinha, a mais alta do teleférico. Os pilares que sustentam a estrutura medem de 12 a 40 metros

10

pessoas é a capacidade de cada gôndola, 8 sentadas e 2 em pé

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.