A pressa é sempre uma boa desculpa

Parar na faixa não é uma questão de trânsito. Como, aliás, Brasília provou.

Rui Nogueira, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2011 | 00h00

Há um chip na cabeça dos motoristas brasileiros que precisa ser trocado. Quem está mentalmente preparado para achar que a faixa e o pedestre não querem dizer nada, a desculpa é a pressa. Quem está educado para respeitar a faixa, enxerga de longe a necessidade de respeitar o pedestre. Muitas vezes, reduzir a velocidade é o tempo para fazer um suave balé: a demora para chegar à faixa é o tempo para o pedestre atravessar uma rua sem que o motorista precise parar.

Há um lembrete a fazer: na estatística de veículos por habitante, Brasília tem mais carros do que São Paulo. Mais que isso: a capital paulista não tem as vias expressas que tem Brasília, eixões, eixos e eixinhos que são um convite a enfiar o pé no acelerador.

São Paulo gosta de ser reconhecida como uma cidade de apressados, tomando-se a expressão como sinônimo de trabalho. Brasília acha o mesmo, menos pela pressa de ir trabalhar, e mais porque o poder, mesmo quando se trata de um poderoso cidadão comum da capital, quer sempre o caminho desimpedido. No entanto, aprendemos e hoje o brasiliense tem orgulho do exemplo dado ao País.

Não é verdade que parar na faixa atrase os deslocamentos. Na maioria das vezes, os atrasados querem compensar com o atropelo da faixa o atraso que eles mesmo criaram. Além disso, um, dois ou cinco minutos de atraso são compensados com um, dois ou cinco gentilezas que fazem do motorista um sujeito civilizado e feliz.

JORNALISTA, É CHEFE DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA DE "O ESTADO DE S. PAULO"

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.