'A população esperava o fim do mundo'

"Vivi a 2.ª Guerra no meu período de ginásio. A cidade sofreu com a escassez de alimentos, de combustível e com especulação e inflação. Também vivi o preparo da cidade para a defesa de ataques aéreos que nunca aconteceram. Em 1944, contavam a história de que submarinos alemães rondavam o litoral de Santos e pequenos helicópteros decolariam desses submarinos para bombardear a capital. Um dos procedimentos adotados foi o exercício de blecaute. Nas tardes de exercício, as moças voluntárias da Defesa Civil percorriam a cidade com lanternas. Às 21 horas assobiavam as sirenes, apagava-se a iluminação das ruas e das casas, desligavam-se os faróis dos carros, os bondes paravam e a cidade ficava silenciosa, só se ouvia o barulho de aviões que fiscalizavam a escuridão. Se a noite era estrelada, as pessoas saíam de casa para apreciar um céu para o qual nunca olhavam. Ao lado dos exercícios, corriam preparativos para suportar um imaginário ataque aéreo: projetos de abrigos antiaéreos e treinamento no uso de máscaras contra gases. Toda a população, até minha família, estava apavorada, esperando o fim do mundo."

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