'A PM continua na USP e vamos ter parceria'

Coronel aposentado assume Guarda e diz que manterá o combate ao uso de drogas na Cidade Universitária

BRUNO PAES MANSO, O Estado de S.Paulo

30 Março 2012 | 03h03

Os alunos da Universidade de São Paulo (USP) pediram "Fora PM" no ano passado. Ontem, o reitor João Grandino Rodas oficializou logo três coronéis para comandar a Guarda Universitária. Além de Luiz de Castro Júnior, superintendente de Segurança, ex-diretor da Polícia Comunitária e Direitos Humanos da PM, vão ajudar a administrar o efetivo de 380 homens em sete câmpus do Estado o coronel Jeferson de Almeida (ex-policiamento ambiental), e o coronel Valter Alves Mendonça, que estava no 19.º Batalhão e já passou pela Rota. Aos 52 anos, apenas 31 dias depois da aposentadoria, com 34 anos de PM, Castro falou ao Estado.

Quem convidou o senhor para esse cargo?

Foi o professor Grandino (Rodas). O convite ocorreu porque eu atuava em segurança comunitária.

A PM deve permanecer nos câmpus?

Eu não entendo muito bem essa história de 'fora polícia'. Fora de onde? Se o espaço é de uso público, o Estado tem de intervir também. E, quando a gente fala em segurança pública, é a polícia que vai intervir. Daqueles espaços em que há o controle de acessos, parte de conhecimento, sala de aula, ok. Ali não há presença policial.

Como o senhor viu o episódio dos alunos presos com maconha no ano passado, que provocou uma onda de protestos?

Vamos esclarecer: o uso do entorpecente não foi o objetivo da abordagem. Os policiais agiram inicialmente em defesa da integridade física dos estudantes. Segundo o relato deles, passavam pelo local, com pouca luminosidade, e pela situação de suspeição os policiais achavam que alguém estava sofrendo sequestro relâmpago. Quando fizeram essa abordagem, houve a localização do entorpecente. A legislação não permite uso e tráfico. A PM não faz a lei, aplica. Daí aconteceu a confusão.

E em relação à reintegração de posse?

Fala-se que "a polícia invadiu a USP". Não. A polícia não invadiu a USP. A PM reintegrou um espaço público invadido. Jamais houve invasão da PM.

Qual é a sua estratégia ao assumir a guarda?

O primeiro passo é fazer um estudo mais aprofundado da geografia da USP, dos espaços abertos ao público, de prevenção primária. Ter espaços ocupados, eliminar espaço de medo. Colocar iluminação adequada. A nova iluminação deve estar concluída em abril de 2013, mas vai começar de forma paulatina, conforme o estudo que fizermos. Vamos aplicar também tecnologia. Não só em relação a mapear os incidentes, mas também sugestões e reclamações. Iluminação, sistemas eletrônicos como alarme, tecnologias em busca da cultura de paz. A PM vai continuar nos espaços públicos e vamos ter parceria estreita.

A Guarda vai fazer abordagens?

Inicialmente, não.

Como vai lidar com a questão da maconha?

Hoje, a maconha, como outros entorpecentes, é uma substância proibida. Como é proibida, não pode ser aceita. Nós não temos respaldo legal para dar voz de prisão ou algo que o valha. Mas, dependendo da situação, nós chamaremos a polícia para providências. Eu tenho certeza de que, dentro da USP, o que se busca é um tratamento para quem é dependente químico. Espero que não só a USP, mas a sociedade possa oferecer um tratamento médico para essa dependência química.

Vai precisar de mais homens?

Ainda não sei, porque não sei das necessidades...

Vai comprar novas armas? Nem Taser?

A guarda não é armada, nem queremos. E sou avesso a choque. O papel da guarda é outro, de vigilância e preservação do patrimônio.

O senhor não teme que os alunos peçam a sua saída?

Estou tranquilo, porque estou sendo contratado como especialista em segurança, não como coronel.

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