Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

A pipa do vovô na era digital

'Antigamente, a gente saia pela cidade e não aparecia nenhum fotógrafo'

O Estado de S.Paulo

26 Fevereiro 2017 | 03h00

A banda do Candinho sai pelas ruas de São Paulo desde a década de 80 – quando nem o celular nem mesmo um “carnaval de rua” existia de verdade na cidade. Apesar de estranhar o tanto de celulares erguidos durante o bloquinho, Candinho comemora a evolução. “Antigamente, a gente saia pela cidade e não aparecia nenhum fotógrafo. Ou, pior, a gente tinha de gastar uma grana com fotografia. Hoje, o nosso desfile fica circulando meses na internet. É uma divulgação natural. Um documento que fica por muito tempo”, fala Candinho – que prefere não revelar a idade. 

O cantor Roberto Silva, de 66 anos, diz que não se importa em ser filmado e que até se sente envaidecido. “O problema é quando alguém me entrega o celular e pede para eu tirar fotos ou filmar. Aí eu me atrapalho. Sou do tempo em que esses aparelhos só serviam mesmo para fazer ligações”, conta.

Já Ana Maria Hertolin, de 66 anos, avisa que costuma se esconder quando alguém aparece com um celular perto dela. “Carnaval, bloco de carnaval, são coisas para a gente sambar e relaxar. Imagina se alguém me vê em uma foto em que estou bebendo? Eu já sou avó”, brinca.

Candinho afirma que o carnaval na era digital é um “barato”. “No passado eu dizia que o carnaval de São Paulo seria grande quando todas as ruas tivessem seus bloquinhos. Hoje, cada condomínio dessa cidade tem um bloco. Tem pelo menos uma foto de carnaval na página de Facebook de cada um.” 

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